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Natalino Salgado lamenta morte de Luiz Phelipe Andrés: “É cedo pra dizer adeus”

6 de dezembro de 2021 : 09:07

Por Natalino Salgado Filho

Justos que morrem cedo e perversos que têm vida longa – eis o contraste que constatou o autor de Eclesiastes, livro bíblico de sabedoria. Mais tarde, em versos de sua canção que ecoaram Brasil afora, Renato Russo fez coro ao dizer: os bons morrem jovens.

Essas falas se amoldam à perfeição com a notícia da breve e dolorosa partida de Luiz Phelipe Andrès, meu confrade na Academia Maranhense de Letras, o mais maranhense dos mineiros, que juntou a paixão pelas montanhas de sua terra e o mar que banha nossa ilha numa mistura perfeita.

Conseguiu um feito raro numa vida só: ser unanimidade entre os que o conheceram de perto. Amável, gentil, afável, transitou por mundos diversos, inscreveu seu nome entre os fazedores de grandes feitos deste nosso Estado e conquistou discípulos apaixonados. As embarcações que marcaram seu currículo são patrimônio orgulhoso desta gente e desta terra.

Luiz Phelipe foi apóstolo do bom e do belo, essas duas virtudes tão raras em nossos dias; viu grandezas onde poucos conseguiam distinguir as linhas. Sua alma sensível tocou mais do que materiais à sua volta: encantou corações. Tive a alegria e o privilégio de ter convivido com ele também na condição de médico. E, na escuta empática e sagrada, tive acesso a uma narrativa de força no combate aos males que o afligiam. A nós, que escolhemos esse ofício sacerdotal de curar, quando possível, e de oferecer lenitivos sempre, pesa a responsabilidade de muitas vezes não ter mais do que palavras para ofertar. Mas escolhi as melhores, emprestei o abraço, cedi o atento ouvido e hoje, de alma em luto, digo: obrigado, Phelipe, por tornar a minha existência mais rica por meio de sua amizade. Os céus o recebem em festa e o recompensem com uma justa colheita das sementes aqui plantadas!
Seu espírito há de sempre pairar na memória que, ao longo de décadas, plantou, no Tamancão, o amor pelas embarcações, canoas, igarités, costeiras, cascos e velas e, no Centro Histórico de São Luís, o fascínio pela arquitetura do Projeto Reviver.

Hoje, os embarcadiços e moradores da Praia Grande choram a morte de um homem fraternal, humano e cordial; a morte de um amigo e irmão, que viverá na memória e nos seus corações. Que Deus receba a sua alma e que seu espírito se encante na luz do Espírito Santo.

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