Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

Presidente do PT do Maranhão descarta fazer oposição ao governo Flávio Dino

18 de janeiro de 2015 : 08:00

O Imparcial

Falar do PT é sempre complicado. O partido vive em crises internas, divergências e muitas disputas. No Maranhão não é diferente. Em 2014, a legenda optou por seguir com Lobão Filho (PMDB) na disputa do governo, porém uma ala optou por Flávio Dino (PCdoB). Hoje o governo estadual, está repleto de petistas em cargos do primeiro escalão, porém o presidente do partido diz que o posicionamento da sigla será de independência.

Já em relação ao prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PTC), ele disse que a posição já é de apoio e inclusive fala que o PT não deve ter candidato para a disputa municipal. A preocupação agora é formar novos quadros e se preparar para ampliar as bancadas nas Câmaras Municipais do estado.

Confira na íntegra a entrevista:

O Imparcial – Monteiro como vocês avaliam a eleição do PT no Maranhão?

Raimundo Monteiro – Elegemos dois deputados estaduais e um federal no Maranhão. Mas nosso foco e preocupação principal era a eleição da Dilma e o resultado foi muito satisfatório, uma vez que alcançamos o melhor percentual do país. Nós entendíamos que não podíamos deixar que o nosso projeto fosse interrompido, por isso a eleição da Dilma era fundamental.

No Maranhão, o PT optou por apoiar o Lobão Filho. O que faltou para que os votos dados ao partido na disputa de presidente, também fossem dados ao governador?
A eleição do Lobão Filho teve problemas graves. Ele entrou no meio de uma pré-campanha eleitoral e não conseguiu empolgar o eleitor. O Flávio Dino já vinha em campanha há 4 anos e também existia um grande sentimento de mudança por parte da população.

O senhor acredita que se o PT, tivesse indicado o vice, o resultado teria sido diferente?

Poderia ter sido diferente. Pois a presença do PT acaba influenciando.

E a decisão de não ter vice na chapa do PMDB?

Olha veio da direção nacional e eu não sei o motivo. Ainda houve uma tentativa do PMDB em colocar o PT como vice, mas a nacional não quis.

Hoje, o senhor acredita que a melhor decisão para o PT do Maranhão era ter apoiado o Flávio Dino ou lançado a candidatura própria?
Tudo isso era possível, mas por conta da aliança nacional com o PMDB e o Maranhão era estratégico para o Sarney e Lula, foi importante manter o PT aliançado.

Como será a posição oficial do PT em relação ao governo Flávio Dino?

Não faremos oposição. Mas manteremos uma posição de independência ao governo. O PT vai construir sua própria marca.

E em relação ao governo do prefeito Edivaldo Holanda Júnior?

O diretório municipal do PT tomou a decisão de apoio ao prefeito Edivaldo. Pois inclusive, o nosso partido chegou a ter o líder do governo na Câmara Municipal.

O deputado federal eleito Zé Carlos ganhou força no PT. Ele será o interlocutor da nacional com a estadual?

Olha o PT tem direção. O Zé Carlos é deputado federal tem sua força, mas o PT do Maranhão tem presidente. O papel do Zé Carlos será importante como parlamentar, mas em relação as discussões e conversas com o diretório nacional, nada muda.

Qual será o principal desafio do PT em 2015?

Se organizar e se preparar para as eleições de 2016. Fazer com que o projeto do PT, seja abraçado pelo povo do Maranhão.

O PT precisa renovar seus quadros?

Sim. Como todo o partido. O PT tem a Fundação Perseu Abramo, lá nós temos um quadro muito bom de formadores. Vamos preparar gestores públicos, pretensos candidatos, para a disputa de 2016.

Como está o atual momento do PT no Maranhão?

Tem sempre umas brasinhas acesas. O que nós temos discutido é que precisamos nos unir, acabar com essas divergências. Devemos fazer um encontro agora dia 30 e definir todas as estratégias do partido para os próximos anos.

Existe a possibilidade do PT ter candidato a prefeito de São Luís?

Não temos condições de eleger um prefeito na capital. Não nos preparamos. Nosso objetivo principal é eleger uma bancada forte.

Quantos filiados têm o PT no Maranhão, atualmente?

Uma faixa de 60 mil filiados.

Como será a relação da Dilma com o Maranhão? Aqui ela teve o maior percentual de votos em todo o país.

Ainda não discutimos isso com ela. Não houve essa discussão. O diálogo está sendo aberto com o diretório nacional.

O senhor já buscou o diálogo com o governador Flávio Dino?

Não. Os companheiros que foram para o governo, foram por mérito próprio. O Márcio Jardim comunicou, os demais não.

Existe possibilidade de nova intervenção no Maranhão?

Não. O PT não é um partido intervencionista, não sai cassando mandatos de presidente. Ele respeita a democracia.

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