Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

“Não há guerra, mas sim disputa”, diz Lobão Filho sobre corrida eleitoral

16 de março de 2014 : 06:00
Repetidas vezes, o senador Lobão Filho (PMDB), fala: “eu nunca quis ser político”. No entanto, uma o herdeiro de uma das famílias mais tradicionais da política maranhense, pode ter um grande desafio eleitoral este ano, ele pode disputar uma vaga no Congresso Nacional. Apesar de já ocupar uma cadeira de senador, ele pode ficar no cargo em definitivo a partir de 2015, caso vença a eleição, uma vez que atualmente está na função, por conta de uma suplência.
Sobre a possibilidade de disputar o cargo, Lobão Filho fala com naturalidade, que a oportunidade surgiu por conta de sua competência no Senado e também por perceber que pode ajudar o Maranhão mais ainda. Quanto a Gastão Vieira (PMDB), ele faz questão de frisar que o ex-ministro sempre dizia não ter interesse na vaga, por isso, ele se lançou para a possível empreitada.
O senador ainda fala sobre o cenário político na Assembleia Legislativa e conta que Arnaldo Melo (PMDB), está endurecendo o jogo com a governadora Roseana Sarney (PMDB), por isso ela deve acabar optando por não deixar o cargo. Porém ele acredita que o presidente do parlamento estadual é um homem de grupo e leal, só está fazendo isso, pois sonha ser governador do estado.
Confira na íntegra a entrevista:
O Imparcial – Como surgiu o interesse e a possibilidade de o senhor disputar a vaga de senador este ano?
Lobão Filho – Eu já sou senador há mais ou menos seis anos. Entrei como suplente, sem nenhum prestígio, era muito novo, sem ser egresso de uma vida pública longa, ou seja, eu não tinha nenhuma das características da maioria dos senadores. No entanto eu estava substituindo um homem que tem 32 anos de vida pública, que no caso é o meu pai e eu não poderia apenas passar por aquela Casa, pois a cobrança seria e é grande. Devemos lembrar que o Senador não é uma pessoa qualquer, ele tem forte motivo para estar ali. E eu com muita paciência, busquei conquistar o espaço que hoje eu julgo ter conquistado. Faço hoje, parte de um grupo seleto de senadores, onde dividem os cargos mais importantes do Senado. Tenho cumprindo com muita dignidade a minha função e representando com grande zelo o Maranhão. Aí que está a minha diferença para os demais, eu nunca quis ser político, assumi por conta de uma necessidade, pois meu pai teve que se afastar por conta da saúde e por assumir o Ministério, tanto que em seu primeiro mandato não fiquei nenhum dia como senador, somente em seu segundo mandato ascendi para esse cargo. Eu tenho minha vida no Maranhão, a minha família e os meus negócios. De repente, eu me vejo ter que viver metade da minha vida em Brasília, ou seja, passo três dias por semana, sozinho, eu falo isso para deixar claro que o cargo que eu ocupo não existe glamour, mas sim a necessidade de cumprir uma missão, que foi imposta pelo destino, pois eu não busquei. Eu não posso chegar ao Senado e fazer besteira. Dessa forma com muita paciência fui buscando meu espaço e contribui efetivamente com o destino do meu estado. Nunca desejei continuar na política, mas este ano que estive a frente da Comissão de Orçamento, pude contribuir de forma absurda para meu estado, eu identifiquei uma possibilidade de fazer a diferença.

Por que o senhor então deseja disputar essa vaga?
Dito isso, eu quero dizer que eu também tenho enormes condições de ser um bom representante do Maranhão. Eu resolvi problemas do estado, que me deixaram profundamente animado. O Fundo de Participação do Estado eu consegui resolver através de uma grande disputa no plenário, chegando a um embate muito agressivo com o senador Paulo Paim, se eu não tivesse feito isso, o Maranhão perderia de 30% a 40% da nossa receita, o que poderia quebrar o nosso estado, esse é apenas um exemplo. Posso falar ainda sobre ICMS, consegui a repactuação das dividas dos estados brasileiros, olha que coisa espetacular para o nosso estado. Então isso vai me animando para entrar na disputa.

Vai haver uma disputa entre o senhor e o Gastão Vieira pela vaga de Senado ou vocês vão chegar a um consenso?
Deixa eu falar uma coisa para você. Eu ainda não tive oportunidade de falar de forma extensa sobre esse assunto. Em primeiro lugar, o Gastão tem o total direito de pleitear esse cargo, afinal já foi deputado estadual, federal, secretário estadual e ministro, portanto é legitima vontade dele querer a vaga. Se eu não for candidato, eu votarei no Gastão, com prazer, afinal ele seria um digno representante do Maranhão.

O que lhe faz crer que possa vencer a eleição de Senador?
Eu não gostaria de fazer julgamento agora. Eu ainda nem sou candidato. A oposição por exemplo já tem candidato, o Roberto Rocha (PSB). Na hora que o nosso grupo decidir quem será o nosso candidato, seja quem for, terá que colocar nossos ideais e deixar para que a população escolha. Eu não posso dizer que sou melhor por isso ou por aquilo, agora, sem se quer poder falar como candidato. Uma vez que não seria justo com o Gastão e nem com os demais pretendentes. Quando o nosso grupo definir o candidato, aí sim começará uma disputa de ideias e de minha parte será de alto nível, demonstrando a alta capacidade de desenvolver projetos para o estado.

Em relação à Roseana, o senhor defende que ela permaneça no cargo ou renuncie?
Eu sou a favor que ela renuncie e que o Luís Fernando assuma no lugar dela. Por uma razão estratégica eleitoral, ele como governador, ele teria condições mais firmes de sucesso eleitoral. O que não quer dizer, que caso ele não venha ser governador pela eleição indireta, ele não tenha condições de vencer a eleição.

Existe um entrave com Arnaldo Melo sobre a eleição indireta?
Sim. O presidente da Assembleia, de forma legitima, deseja ser governador e quer conduzir o processo eleitoral. Ele é do PMDB, ele é leal ao grupo, sempre foi e já demonstrou ser um administrador muito capaz, tanto que faz isso com a Assembleia. Mas, não estamos só falando da administração pública, mas sim, simbólica, por isso é importante que o Luís Fernando ser governador, para que ele possa vencer a eleição em outubro. Com base nisso, entendo que Roseana irá alongar ao máximo a sua permanência no cargo, desmotivando o presidente Arnaldo ou outro qualquer o interesse de ficar no cargo por um curto período, abrindo assim espaço para Luís Fernando.

Se a Roseana renunciar ao cargo, ela será a candidata ao Senado?
Não tenha dúvida e isso ocorrendo, já existe um acordo, que não haverá nenhuma disputa. Ela é consenso.

Então o senhor só será candidato, caso Roseana permaneça como governadora?
Sim. E quero deixar claro que eu só me lancei por que o Gastão Vieira disse que não queria ser senador, tanto que ele deixou sua base eleitoral intacta. Ele sempre foi candidato a deputado federal. Mas se ele quiser levar essa disputa para convenção, sem nenhum problema, quem perder apoia o outro na eleição. Mas isso tudo de forma amigável, sem traumas, sem cisão, sem divisão, não há guerra interna, mas sim disputa, que o resultado final, será a união.

Trazer o senhor para a disputa é uma estratégia para trazer o ministro Lobão para a disputa?
Lobão teve 2 milhões de votos em 2010. Nunca na história do Maranhão, houve uma votação tão maciça. Por isso, podemos ter a certeza que o apoio dele é extremamente importante. Mas ele é um homem de convicção moral muito firme. Ele não cede a ameaças, chantagens, ele nunca fez isso em sua vida, não é da índole dele, que é um comportamento presente em muitos políticos. Existem alguns que rompem por conta de momentos políticos adversos. O meu pai em vários momentos já viveu situações adversas, mas não deixou o grupo. Em 2002, ele queria ser o governador do estado, mas colocaram o Zé Reinaldo, afinal em 1994 ele entregou para Roseana a oportunidade de ser governadora e ele foi por apenas três anos governador, mas foi conhecido por construir estradas, pagar a divida do Maranhão, ajustou o funcionalismo público, fez as grandes obras de São Luís, construiu escolas em todo o estado, tudo isso sem fazer nenhum empréstimo e sem vender nada. Ele não vendeu o BEM, a Cemar, enfim, nada. Portanto era legitimo, ele desejar voltar a ser governador, mas o grupo não quis. Ele já provou que não é um homem de chantagem ou extorsão. Portanto é obvio que ele estará no palanque do Luís Fernando, pois ele acredita no nosso candidato.

E quais seus planos políticos? Sonha em governar o Maranhão?
Eu não desejo isso. Eu nem deveria estar indo, além do que fui. O acidente que sofri, mexeu com a minha vida. Eu nunca tive vontade e desejo de ficar em Brasília, eu sempre externei isso. Mas quem me conhece sabe quem eu não queria isso. Eu pago um preço emocional muito grande para estar em Brasília. Mas eu recebi essa missão e estou cumprindo muito bem. Se eu fosse um parlamentar que não conseguisse trazer contribuições para o meu estado, digo com toda certeza que eu não queria de forma alguma seguir esse caminho.

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