Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

O pragmatismo político e a descartabilidade de Flávio Dino com os aliados na política

Na última sexta-feira (13), o governador Flávio Dino consolidou uma das mudanças em seu secretariado que já estava sendo anunciada desde julho deste ano. O fato já era de conhecimento de geral, tanto que o próprio titular da pasta da Secretaria de Esporte e Lazer, brincava: quando eu vou cair? A partir de agora, sai Márcio Jardim e entra Heverton Carlos Pereira, ou seja, ele tirou um petista e trouxe um progressista em troca de apoio do PP para 2018. A postura só mostra como o comunista trabalha de forma pragmática e trata seus aliados como pessoas descartáveis.

Para quem não lembra, Márcio Jardim foi um dos mais combatentes petistas no período que o partido esteve aliado aos Sarneys, sempre cobrando o rompimento da aliança que ele acreditava ser contra os princípios ideológicos da legenda. Em 2014, o ex-secretário de Esporte foi um dos mais se expôs na campanha eleitoral para defender o projeto de Flávio Dino.

Candidato a deputado federal, Jardim escolheu o número 1365 e em todos os seus programas ele afirmava: “para mudar o Brasil e o Maranhão, vote 13 65, entendeu né?”. Uma clara alusão aos votos em Dilma para presidente e Flávio Dino para governador. É óbvio que Márcio não fez aquilo por ocasião, conveniência política e muito menos por interesses próprios, pois apesar de todos os defeitos que o petista possa possuir, ele sempre foi um militante aguerrido defensor da esquerda, desde os tempos da UNE.

Como reconhecimento do seu empenho, por sua capacidade e como forma de contemplar o PT que apoiou Flávio Dino, Márcio Jardim foi escolhido secretário de Esporte e Lazer. Desenvolveu um bom trabalho, apesar das críticas na lentidão do inicio das obras de recuperação do Complexo Canhoteiro no que tange as piscinas, não há nada que desabone sua gestão. Talvez o maior pecado que recaiu sob o petista teria sido não esconder sua paixão incondicional pelo Sampaio Corrêa, o que incomodou principalmente a direção e torcedores do Moto Club.

Lá em 2014, durante seu programa eleitoral, Márcio Jardim ainda disse que “aprendeu assim como seus companheiros de trabalho, noções de ética e companheirismo. Essas coisas que a gente guarda no coração” e ainda pontou para um número 65 que estava posto na parede. Flávio Dino talvez tenha faltado essas aulas ou nunca teve nenhuma dessas noções durante sua trajetória política ou quem sabe nunca teve a mesma consideração pelo companheiro petista do que era nutrida pelo mesmo.

A Sedel, o PT e Márcio Jardim serviram de moeda de troca. A chegada do PP pode significar mais um partido para eleição de 2018, mas o Flávio Dino trocou alguém que sempre esteve ao lado dele por alguém que nasceu em um ninho sarneysta, depois esteve ao lado do seu pior crítico que é o senador Roberto Rocha, chamou Eduardo Cunha de papi e recentemente foi denunciado pelo Jornal Pequeno de fazer parte de um esquema envolvendo emendas parlamentares. Mostrando que coerência não é o mais forte do comunista.

Vale lembrar que o dono da pasta do Esporte tem muito mais dinheiro, voto e comanda um partido,e Márcio, o seu Jardim é tão pobre que a única coisa que pode lhe oferecer foi a militância política e o trabalho desenvolvido na SEDEL.

Flávio Dino evidencia cada vez mais que o seu grupo político se limita a ele e aqueles poucos que estiveram no tempo do DCE da UFMA. Fora estes, só tem o grupo dos advogados-secretários. Para todo o resto, só servem para o atual momento político, são descartáveis e possui valor momentâneo, convenientemente interessantes pela conjuntura política.

É só lembrar do que aconteceu com Eliziane Gama (PPS), abriu mão de uma candidatura a governo no ano de 2014, para ser trucidada pela mídia alinha do Palácio dos Leões em 2016. Sebastião Madeira (PSDB), aliado em 2014, hoje é tratado como traidor. E tantos outros exemplos que existem. Márcio Jardim é só mais uma vítima da prática pragmática e descartável como Flávio Dino trata os aliados políticos.