Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

O desconhecimento do Maranhão e o oportunismo político

28 de março de 2016 : 07:19

Acostumado a morar fora do estado e utilizar aeronaves para percorrer o Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), demonstra o seu oportunismo político para fazer média diante de um grave problema que se tornou a BR-135. Alguns pontos vão ser elencados para demonstrar que o governador nunca se preocupou com esse problema e agora levanta a voz por pura conveniência política.

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Após a morte da artista Ana Duarte, por conta de um assalto no km 15 da BR-135, uma enxurrada de reclamações começaram ser disparadas como sinal de revolta em relação ao péssimo estado de trafegabilidade da única rodovia que possibilita a saída e chegada à capital maranhense. Acuado e vendo uma responsabilidade ser transferida para si (uma vez que a BR é de responsabilidade da presidente Dilma), Flávio Dino usou o seu palanque eletrônico – as redes sociais – e anunciou que vai notificar o Governo Federal por conta da não conclusão das obras e manutenção da via.

br135buracosPara poupar a presidente Dilma, ele prefere jogar a responsabilidade no DNIT. Mas mesmo diante dessa postura, cabem questionamentos:

Ora, Flávio Dino não é o governador dentre as 27 federações que mais demonstra apoio a presidente Dilma, chegando a ganhar status de “defensor da República”? Passados 15 meses de governo, o comunista nunca teve a oportunidade de tratar sobre a BR-135 com Dilma?

Falta interesse ou prestígio de Flávio Dino junto a presidente.

Mas a falta de interesse talvez não ocorra de forma premedetista, mas sim por falta de conhecimento. Flávio apenas nasceu no Maranhão e nunca viveu de fato a sua terra, pelo contrário fez o máximo para permanecer fora. Aprovado em 1994 no concurso para juiz federal, exerceu a função no estado por apenas por 6 anos, afinal em junho de 2000 assumiu a presidência da AJUFE (Associação dos Juízes Federais do Brasil), sediada no Distrito Federal. Ao fim do seu mandato em 2002, se articulou junto a Edson Vidigal (então ministro do STJ), Nelson Jobim (então ministro do STF) e outros para conseguir se manter em Brasília, fato este conquistado ao ser colocado como secretário geral do Conselho Nacional de Justiça, posto que ocupou até março de 2006.

Eleito deputado federal pelo Maranhão em 2006, Flávio Dino durante a campanha se restringia as atividades no seu “curral eleitoral” em Caxias através do seu tutor Humberto Coutinho e ações pelos principais centros do estado, principalmente São Luís e Imperatriz. Fora isso, o comunista permaneceu a não conhecer as terras maranhenses.

Enquanto deputado federal, cargo que ocupou de fevereiro de 2007 a fevereiro de 2011, Flávio fez tímida defesa da duplicação da BR-135. Em requerimento enviado ao presidente Lula a época, o comunista além da ampliação da rodovia, solicitou semáforos, barreiras eletrônicas, intensificação da fiscalização e construção de ciclovias e passarelas.

Na presidência da Embratur, o Maranhão era só mais um entre tantos estados e pouco ganhou visibilidade internacional, uma vez que essa é a função da estatal, fomentar o turismo brasileiro no exterior. O estado permaneceu sem receber um voo internacional. E o pouco que era feito se restringia a São Luís e Barreirinhas.

Durante a campanha eleitoral de 2014 e antes na campanha antecipada (2011-2013), Flávio Dino promoveu o “Diálogos pelo Maranhão”, mas a sua ida aos municípios sempre ocorria por meio de helicópteros e aviões fornecidos por “amigos” e possíveis financiadores de campanha. Permaneceu a desconhecer o estado caótico das estradas estaduais e federais que cortam o Maranhão.

Já como governador, o comunista não mudou a postura, continuou a andar pelo Maranhão de jatinho, helicóptero, contratando uma empresa por R$13,9 milhões, que também serve para os secretários e aliados ostentarem, durante suas indas e vindas pelo estado. No entanto mais uma vez demonstrando manter sua política de “faz de conta” lançou o programa Mais Asfalto, o qual foi coordenado pelo “laranja de Edivaldo”, o qual era acusado pelos prefeitos de achacar para concluir o asfaltamento que em algumas estradas não passava de meros “tapa buracos”.

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MA-014 que corta a Baixada Maranhense está abandonada

Tanto que a MA-014 que liga Vitória do Mearim a Pinheiro, está em total estado de abandono com crateras que impossibilitam até a passagem de carros pequenos. A MA-034 que liga Coelho Neto a Descanso chegou a ser recuperada, mas teve obras paralisadas. E tantas outras vias que ligam municípios maranhenses estão abandonadas.

Em julho de 2015 por meio de sua conta pessoal, Flávio informou que cobrou do Ministro do Transporte, Antônio Carlos Rodrigues, durante uma cerimônia em Manaus a conclusão das obras na BR-135. Vale lembrar que na época, havia a pressão popular e da mídia quanto a paralisação da duplicação da rodovia.

Passou quase um ano e nada foi feito. Como Flávio Dino não transita pela BR-135, não fez a menor diferença permanecer em bom estado de conservação ou intrafegável.

As rodovias que são recuperadas são aquelas que atendem a pedidos de políticos, exemplo disto a pavimentação da MA-034 que liga São João dos Patos a Passagem Franca, reduto eleitoral dos amigos tucanos. Mas para esta obra, o dinheiro veio de outra destinação que seria para construção e melhoramento dos Diques e Barragens da Baixada Maranhense. Quem conhece minimamente o Maranhão, sabe que os R$42,8 milhões antes destinados para evitar a seca e salinização dos lagos é de mais urgência.

No mais, além do desconhecimento sobre o Maranhão e o oportunismo político, ainda sobra a arrogância do governador em não dialogar com a bancada federal, deputados e senadores. O próprio coordenador André Fufuca (PP), já relatou por meio de entrevista a este blog, que o relacionamento com Flávio Dino precisa melhorar.

Portanto as palavras disparadas no “palanque eletrônico” do governador, nada mais é que jogar para a torcida, alguns ainda se deixam enganar, mas muitos maranhenses já sentem o gosto amargo da “mudança” que não vai chegar.

Vale lembrar que o oportunismo político não vem ade agora, Flávio por muito tempo se manteve com os Sarneys, enquanto o interessava. Ajudou eleger Edivaldo Júnior, prefeito de São Luís por conta de um projeto político e quando foi em 2014, disse que não tinha nenhuma responsabilidade. Fica cada vez mais evidente a postura oportunista do governador do Maranhão.

Um comentário em “O desconhecimento do Maranhão e o oportunismo político”

  1. Raynara Sousa

    6 anos atrás  

    Esse governador é de 1 mandato só. A popularidade dele vem caindo sem parar desde aquela briga com aquela prefeita, depois secretarios dele a mando dele perseguindo que nao o apoiou mostrando-se um governo ditador, secretario de esporte agredindo populares e o chefe preferiu-se se omitir, esse apoio dele a Dilma Roussef que está acabando com ele aos olhos dos maranhenses. So falta um político de coragem pra fazer oposicao, que nao seja da familia sarney,murad ou lobao, pois nao seriam mais aprovados pelo povo. E vocês blogueiros, dêem uma olhada na fan page dele Flavio Dino professor e diariamente a popularidade dele cai drasticamente e voces deveriam publicar la em comentarios as notícias de vcs em torno disso.

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