Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

Bentivi faz desabafo e questiona: de quem era a pressão para a retirada de minha candidatura?

25 de agosto de 2016 : 07:04

bentiviO médico João Bentivi e pré-candidato a prefeito de São Luís pelo PHS até às vésperas das convenções, finalmente quebrou o silêncio e falou sobre o fim do seu sonho de se tornar chefe do executivo municipal. O ex-vereador faz questionamentos ao presidente nacional, Jorge Arturo, que por muito meses fez acordos e realizou reuniões de forma sistemática, planejando o presente e o futuro.

Bentivi relata que Arturo teria lhe falado de pressões que estaria sofrendo, porém ele não explica de quem partiu e o motivo que levou a ele tomar a decisão de cortar a candidatura do médico.

Confira na íntegra a carta de Bentivi:

São Luís, 23 de agosto de 2016.

            Caro presidente Jorge Arturo,

            Sirvo-me desse instrumento para uma satisfação pública, devido a todo momento me ser perguntado, pelos meios de comunicação e por anônimos do povo, o porquê da minha não candidatura a prefeitura de São Luís.

            Todos sabem, e o senhor muito mais ainda, que aportei no PHS exclusivamente para ser candidato a prefeito de São Luís e, creia, reconheço ter sido muito bem recebido pelo diretório municipal, regional e nacional, todos pelo senhor representado. Nessa carta não me reporto aos diretórios municipal e regional para não apequenar os meus argumentos.

            Nas nossas inúmeras conversas, o senhor informou-me, entre outras coisas, que a minha candidatura fazia parte de um projeto nacional do PHS, ou seja, caso não tivesse êxito a campanha municipal (como homens inteligentes, concordávamos que a chance de êxito era remota), seria eu o candidato natural para a Câmara Federal, no tal projeto nacional do partido. Eu acreditei. Não tinha o menor motivo, um único motivo,  para desacreditar.

            Além do mais, eu resolveria um grande problema interno do partido. O candidato natural para a Câmara Federal seria o presidente regional, Carlinhos Florêncio, que tendo pavor de viagem aérea, tinha em mim, a possibilidade real de livrá-lo dos aeroportos. Presidente, o senhor certamente se recorda: planos alvissareiros e muitos sorrisos.

            Reforço, ainda, para a sua lembrança, que o senhor me alentava para despreocupar-me com números de pesquisas. As suas palavras eram: “ainda que tenhas 1% serás candidato”. Sempre estive à frente do 1%, portanto, por suas palavras, era um candidato irretirável.

            Cada encontro e cada conversa eram a imagem da mais perfeita harmonia. Assim, com a tranquilidade dos sérios e justos, fui a sua residência, no nosso último encontro, para acertarmos os pormenores da campanha, dentre eles que eu viajaria para a Argentina, para fazer mais um módulo do meu doutorado em Direito Penal, que voltaria a tempo para a nossa convenção e que os detalhes sobre acordos políticos o senhor faria. Era mar de almirante ou céu de brigadeiro.

            Desse modo, foi uma enorme surpresa, quando recebi um e-mail, sim, um solitário e-mail, do diretório municipal, que informava pura e secamente a inexistência da candidatura do PHS.

            A surpresa não era desarrazoada e tive a ingenuidade de achar que os problemas poderiam ser ultrapassados e as conversas pelo whats zap me deram a convicção de ainda confiar no projeto PHS. Entretanto, entre as várias conversas gravadas no meu celular, uma foi e é reveladora:

            Em 20 de julho, assim o senhor falou: “Bentivi eu estou em Brasília justamente alegando que essa decisão teria que lhe esperar, porém eu estou levando pressão grande de SLZ”. Poderia transcrever outros diálogos e, se necessário, o farei.

            Como  homem inteligente e experiente, entendo demais do mundo da política e não há em mim nenhuma inconformação com a retirada da minha candidatura, porém sobra um pequeno desconforto: a falta de uma conversa sincera, clara, sem subterfúgios. Os homens que honram essa condição entendem bem o que estou a dizer.

            Quando fui para o PHS o engrandeci, inclusive levei comigo um grupo de pré-candidatos a vereador que fez do PHS  um dos melhores grupos para a disputa proporcional e a minha responsabilidade com esses amigos não me permitem sequer pensar e muito menos desejar uma performance ruim desse partido.

            Com a prudência dos sábios dei a mim mesmo um tempo de silêncio obsequioso, até porque recebi dezenas de recados de que o PHS (leia-se seus dirigentes) iria me ligar para uma conversa. Como sou de boa índole e meço os outros pela fita métrica de minhas condutas, esperei o tal telefonema. Não existiu.

            Reitero que não tenho nenhuma reclamação para o fato de ter a candidatura retirada: é direito de quem manda no partido. Mas a conversa, a explicação é obrigação de quem é correto. Como o pleito municipal é algo de interesse público, ficam dúvidas  que não se calam: de quem era a pressão para a retirada de minha candidatura? O porquê da pressão? Qual o tipo da pressão? Qual o valor da pressão ou a pressão foi sem valor? Se teve valor, quem pagou o preço da pressão? Quem se beneficiou da pressão? Essa pressão foi somente sobre João Bentiví? Outras candidaturas foram achacadas? Essa pressão passaria no crivo dos tribunais ou da Bíblia? Etc e etc

            Presidente Jorge Arturo, como um perfeito self made man, que deve obediência somente à ética, à lei e a Deus, estou livre de qualquer raiva, mágoa ou coisa similar. Agradeço a Deus os momentos vividos no PHS e, reconhecendo a dinâmica da política, tudo o que ocorreu é passado, ademais, os inteligentes trabalham bem o presente, mas os inteligentes e sonhadores, dentre os quais me incluo, trabalham o presente sem descuidar-se do futuro, de tal modo que o  o futuro adquire maior proeminência.

            O meu futuro, com certeza, é lindo. Dentre tantas atividades, continuarei na defesa de minha cidade. Continuarei na atividade política por entender que mesmo existindo, na política, os desabilitados, imbecis, vagabundos e afins, sempre caberá, na política, espaço para a seriedade, competência, honestidade e ética. Continuarei a opinar em todas as instâncias em favor dos valores fundamentais da sociedade. Continuarei anunciando o reino de Deus bem acima de critérios religiosos, mas sobretudo na dependência da fé.

            Dessa forma, caro presidente, desejo, de coração, sucesso ao PHS e, primordialmente, aos nossos vereadores e estou à disposição de todos eles, repito, dentro de minhas múltiplas habilidades.

            Finalmente, presidente Jorge Arturo, deixei no seu condomínio um garrafa de vinho argentino que você me pediu, durante o nosso último encontro, em sua residência. Esse fato é simbólico: a pureza desse vinho simboliza a seriedade de meus compromissos.

            Muitos nunca saberão o que é isso, mas espero que o meu exemplo seja uma singela lição para quem dessa lição necessitar.

João Bentivi

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