Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

Em artigo, senadora Marta Suplicy critica administração do também petista Fernando Haddad

6 de abril de 2015 : 16:44
Falta tudo. Vá num dos encontros organizados pela Câmara Municipal nas subprefeituras. Parece que São Paulo parou no tempo. No Jaçanã, zona norte, na parte mais carente a demanda é a mesma faz anos: melhores condições de funcionamento para o Hospital Municipal São Luiz Gonzaga, que atende em situação calamitosa. Unidades Básicas de Saúde (UBSs) não foram construídas e uma, segundo relatos, funcionando em “cabana de madeira”.
Na periferia, o problema do lixo não se resolve. O metrô que não chega nunca, o transporte de ônibus é insuficiente e de péssima qualidade. As compensações ambientais acordadas na construção do Rodoanel até hoje não aconteceram. Os mesmos córregos sem canalização: Tremembé, Piqueri e Paciência (olha o nome!!!!). Enchentes sempre!
Alguma novidade? Sim. Em relação à Guarda Civil Metropolitana, que não aparece para controlar a zoeira dos “pancadões”, à falta de equipamentos culturais para juventude se encontrar, mais pistas de skate, mais cultura nos CEUs. Lembrei dos “rolezinhos” , já esquecidos pelos prefeitos. Combate à corrupção é um mantra: “Aqui falta tudo e ainda roubam nossos impostos”.
Saí triste com o sentimento ou percepção de abandono pelo poder público na fala dos moradores. Esta região tem 300 mil habitantes. Nas zonas leste e sul há subprefeituras com mais de 600 mil em igual situação. Faltam planejamento, recursos, contato com a realidade?
Um pouco de tudo. Quem planeja uma São Paulo tem que estabelecer prioridades. O orçamento é de R$ 51 bilhões (trabalhei, em valores atualizados, com R$ 30 bi), mas isso está longe de cobrir as necessidades. As prioridades também passam longe de 350 km de ciclovias.
A Câmara aprovou em março a redução do indexador da dívida de Estados e municípios com o governo federal a partir de 30 dias da aprovação pelo Congresso. É uma enorme vitória para a cidade que vive asfixiada com pesados juros e correções. O debate está no Senado e poderia ter sido votado no início da semana. Foi adiado pois o prefeito Haddad concordou com o ministro Joaquim Levy que esse alívio nas contas da prefeitura pode ficar para o ano que vem. Cooperação de São Paulo para consertar o caos na economia?
O que São Paulo paga para a União (nessa dívida), num ano, daria para construir 500 creches, 150 km de corredores viários e 10 mil habitações!
Na Comissão de Assuntos Econômicos, Levy deixou claro que o que for pago a mais desde agora até fevereiro de 2016 será restituído “se tudo der certo”, isto é, se a recuperação da economia ocorrer.
Com o desastre das contas deste primeiro bimestre lembrei de Adoniran Barbosa: se São Paulo perder esse trem…

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