Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

Três deputados federais maranhenses são citados em esquema de “compra e venda” de emendas parlamantares

18 de outubro de 2021 : 05:58

Os deputados federais Josimar de Maranhãozinho (PL), Júnior Lourenço (PL) e Pedro Lucas Fernandes (PTB), foram citados pela revista Crusoé em um suposto esquema de “compra e venda” de emendas parlamentares. Os valores envolvidos giram em torno de R$160 milhões, e também Prefeituras maranhenses.

O esquema funcionaria da seguinte forma: o parlamentar paga uma espécie de “pedágio” para que seus pares destinem suas emendas para os municípios que ele controla. Quando o dinheiro chega na ponta, ou seja, na prefeitura, ele é desviado por meio de contratos fictícios para empresas ligadas ao político comprador das emendas. E assim a roda gira para que polpudas verbas públicas parem nos bolsos tanto do parlamentar vendedor quanto do que adquiriu as emendas e, ao mesmo tempo, retroalimentem a engrenagem da corrupção.

De acordo com o Ministério Público e a Polícia Federal, Josimar de Maranhãozinho fazia com que o dinheiro das emendas fosse repassado a empresas de fachada pertencentes ao grupo político do deputado. Na sequência, o dinheiro é transferido para a Construtora Madry, uma empresa que esteve em nome do próprio Maranhãozinho e de sua irmã, Irismar Cunha Rodrigues, também investigada. O caminho do recurso – desde a saída do Orçamento da União até as empresas do deputado do PL e de seus aliados – está registrado em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeira, o Coaf, em poder dos investigadores. A Madry é o que o MP e a PF chamam de “companhia-sol”. É como se fosse a “holding da propina”. A empresa é a destinatária final da verba desviada por outras dez firmas satélites vinculadas ao grupo. Da Madry, o dinheiro é redistribuído para contas do próprio político e de seus parceiros. Em uma operação de busca e apreensão recente, a PF encontrou carros vinculados à Madry na casa de Maranhãozinho, além de diversos cheques em branco também em nome da empresa.

Já Júnior Lourenço recebeu do Ministério do Desenvolvimento Regional a cota de 13 milhões de reais, em dezembro de 2020, graças ao trabalho de bastidor de Maranhãozinho junto ao MDR. Desse valor, 3 milhões de reais foram parar na prefeitura de Miranda do Norte, que é comandada por sua mãe, Angelica Maria Sousa Bonfim, do mesmo partido. Uma operação do Ministério Público local, batizada de “Laços de família”, concluiu que Lourenço, que foi prefeito da cidade até 2016, pôs o pregoeiro da prefeitura para criar as empresas de fachada que receberiam o dinheiro desviado por meio de contratos fictícios.

De 2018 para cá, as mesmas firmas seguem fechando contratos com a prefeitura de Miranda do Norte. Entre as companhias mais beneficiadas com a verba federal está a Souza Vieira Construções e Serviços, que, segundo o MP local, participava ativamente das fraudes em licitações.

Por fim, Pedro Lucas Fernandes teria sido beneficiado nas negociações para a eleição de Arthur Lira à presidência da Câmara, o ex-presidente do PTB no Maranhão levou sozinho 25 milhões de reais e distribuiu a verba para municípios aliados. Desse total, 4 milhões de reais foram para a cidade de Arame, da qual o seu pai, Pedro Fernandes, também do PTB, é o prefeito.

Quem chamou a atenção para o escândalo da compra e venda de emendas pela primeira vez foi o ministro da Controladoria-Geral da União, Wagner Rosário. Em audiência na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, no último dia 7, o ministro afirmou, sem citar nominalmente os parlamentares, que o órgão vem se empenhando para investigar o assunto. “Sobre vendas de emendas, nós estamos investigando vários casos. Claro, estão todos em sigilo porque já fazemos esse trabalho em convênios, em geral. Estamos com trabalho bastante forte nisso aí, em parceria com a Polícia Federal”, afirmou.

Leia a íntegra da matéria aqui ®️ Cruzoé ed. 181 [Riva] 15-10-2021

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Desde o início da minha vida pública, sempre atuei com responsabilidade e correção. Meu compromisso com a população do Maranhão tem sido cumprido com muito trabalho. Todas as emendas que enviei foram para o uso nos municípios, como é para ser. Os fatos serão esclarecidos com base na verdade.

Pedro Lucas Fernandes
Deputado Federal

2 comentários em “Três deputados federais maranhenses são citados em esquema de “compra e venda” de emendas parlamantares”

  1. Reynaldo Aragão Pinto

    3 meses atrás  

    Eu duvido que haja alguma penalidade aos três citados. Essas falcatruas é para alguns,herança de família com o erário público e que a justiça se torna ainda mais cega por algum motivo. Quem fica desacreditado ,é a PF e o MP ´perante a sociedade.

  2. João Alves

    3 meses atrás  

    Após 10 meses a população de Arame ainda está esperando os investimentos através dessa emenda,o mais estranho é que o Presidente da Câmara Municipal de Arame e o vereador Dudu líder do Governo Municipal não chegam a um concenso nas suas mentiras para a população Aramense. Enquanto o vereador Sydney presidente da Câmara Municipal de Arame jura de pé junto que os recursos ainda não foram liberados,enquanto isso o vereador Dudu afirma em sessão da Câmara que o Deputado federal Pedro Lucas já destinou uma emenda de hum milhão e oitocentos mil. O portal da transparência diz que todas as emendas de 2020 e 2021 do Deputado federal Pedro Lucas já foram pagas. Afinal de contas o povo Aramense que saber onde foram parar os quase 6 milhões destinadas para o Município de Arame???? Com a palavra o Deputado federal Pedro Lucas….

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