Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

Othelino repercute na Assembleia escândalos envolvendo Michel Temer e Aécio Neves

O vice-presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado estadual Othelino Neto (PCdoB), repercutiu, na sessão desta quinta-feira (18), o tema que choca o Brasil com os recentes escândalos envolvendo o presidente da República, Michel Temer (PMDB), e o senador Aécio Neves (PSDB).  “Nós ficamos todos espantados. E, muito embora meu partido faça dura oposição ao governo Temer, por considerá-lo ilegítimo, nós, nem de longe, comemoramos o que está acontecendo com o nosso país, uma situação triste, lamentável”, disse.

Othelino lembrou que o Brasil está na iminência de ter o segundo presidente da República cassado no intervalo de um ano. “O Brasil numa grave crise financeira, política e nós sem a perspectiva, cada vez mais, de sair dela. Vozes lúcidas anunciaram, recomendaram que a violência que se estava cometendo contra o país, quando se cassou uma presidente da República eleita e sem cometer crime, iria criar grave instabilidade e uma radicalização sem precedentes”, comentou.

O deputado lembrou o que foi dito e repetido, em rede nacional, por tantas pessoas, dentre as quais o governador Flávio Dino (PCdoB), e que está acontecendo agora. “Nós estamos num momento, onde o presidente da República, que já precisava de legitimidade pela forma como chegou à presidência, agora carece totalmente de condições políticas e morais para continuar presidindo a República”, afirmou.

Othelino destacou que o Brasil tem hoje um senador da República, o Aécio Neves, afastado pelo Supremo Tribunal Federal, que obteve quase 60 milhões de votos para presidente da República e que, por um detalhe, não se tornou presidente. “Não quero fazer nenhum pré-julgamento, mas o fato é que o país vive um momento de grande sensibilidade. E o que fazer neste momento? Não vejo outra alternativa, que não a convocação de eleições diretas, muito embora elas iriam, provavelmente, retratar o momento de radicalização que vive o país, mas, para liderar este momento de fragilidade, de efervescência, é fundamental que seja alguém referendado pelas urnas. Qualquer outra solução vai ser inviável”, comentou.

De acordo com Othelino Neto, ficou provado que o presidente Temer, que foi alçado ao cargo com a missão de tirar o Brasil da crise, piorou tudo no Brasil com uma agenda, extremamente, negativa e agora com um escândalo, dessa natureza, que expõe, mais uma vez, o país internacionalmente. “A notícia, no mundo todo hoje, nos grandes jornais, é o escândalo que está acontecendo no Brasil. Portanto, certamente, a solução não é agora esticarmos mais a corda, mas partirmos para um entendimento nacional, que não quer dizer colocar o tapete em cima de nada, e sim que os poderes constituídos, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, podem e devem encontrar um caminho para que não se chegue a uma convulsão social”, afirmou.

Tramita na Câmara dos Deputados e está na CCJ, no ponto de ser apreciada, uma PEC que determina que, após a vacância do cargo de presidente da República e de vice, como está na iminência de acontecer no Brasil, convoque-se, imediatamente, eleições diretas. “Creio eu, sem querer ser o dono da verdade, que um começo de solução para este grave problema esteja na convocação de eleições diretas, o Congresso fazendo essa modificação na Constituição e o Supremo Tribunal Federal compreendendo que esse é o caminho mais seguro”, analisou.

Othelino disse não ter dúvida de que o presidente Temer não tenha mais condição de governar o país. “Fosse ele sensato, coisa que ele não é, renunciaria imediatamente à presidência da República. Mas o ato de renunciar ou não é personalíssimo, é algo que só ele vai decidir. Se não o fizer, certamente, espero que o Congresso Nacional o faça ou, em espaço de tempo mais curto, o Tribunal Superior Eleitoral, que já tem razões de sobra, afaste-o e, assim, nós possamos começar a nos livrar desse grande problema que entristece e preocupa todos os brasileiros, independente de cor partidária ou de corrente ideológica”, concluiu.