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Das dez piores escolas avaliadas no Enem, três são da rede estadual de ensino do Maranhão

4 de outubro de 2016 : 16:49

escolasestaduaisMaranhão Hoje

Das dez piores escolas avaliadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), três são do Maranhão – Centro de Ensino Cristino Pimenta, de Bacuri;  Centro de Ensino Dr. Adonias Lucas de Lacerda, de Sucupira do Norte, e Centro de Ensino Marcelina Nóia Alves, de Alto Alegre do Pindaré – todas pertencentes à rede estadual de ensino. As três estão à frente apenas da última posicionada em 14.998º lugar, o Colégio Quilombola 27 de maio, do Sergipe. Dessas dez, à frente das maranhenses estão uma do Ceará, uma de Alagoas, uma do Espírito Santo, uma da Paraíba e duas do Tocantins.

As cinco melhores escolas do Maranhão no ranking nacional são todas da iniciativa privada: Reino Infantil (269º), Educallis (419º), Escola Crescimento (535º), Centro de Educacional Internacional (982º) e Colégio Literato (1.149º). A melhor escola avaliada no Maranhão é o Colégio Universitário, da Universidade Federal do Maranhão, que ocupa a 3.635ª posição no ranking, e a melhor estadual é o Colégio Militar, que está na 4.789ª posição.

O ranking, divulgado nesta terça-feira (04), é com base na avaliação de escolas que formam estudantes desde o 1º ano do ensino médio, têm maior parte dos professores formados na área que lecionam e atendem estudantes de nível socioeconômico alto ou muito alto.  Nove das dez escolas têm 80% dos estudantes matriculados na instituição desde o 1º ano do ensino médio e têm mais de 70% dos professores formados na disciplina que lecionam. “Isso demonstra que o Brasil sabe fazer uma escola pública extremamente estruturada com professores mais valorizados e isso acaba tendo resultado”, diz o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara.

Sete das dez escolas com as melhores médias gerais são federais. Integram a lista escolas militares e escolas técnicas estaduais. Cara ressalta que são, na maioria, escolas que selecionam os estudantes, mas, segundo ele, não são boas porque os estudantes são selecionados, mas selecionam, segundo ele, porque a qualidade é alta e a procura por essas instituições é grande.

Desigualdade – No ranking geral, considerando também as escolas privadas, a primeira escola pública aparece na 33ª posição, o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa, em Viçosa (MG). A primeira escola pública estadual a despontar entre as melhores médias está em 147º lugar, o Colégio Estadual Tiradentes, em Porto Alegre (RS), que atende a alunos de nível socioeconômico alto.  Entre as privadas, seis das dez com melhores médias têm menos de 20% dos estudantes formados pela instituição desde o 1º ano do ensino médio. Também atendem alunos de nível socioeconômico muito alto ou alto –  quatro das escolas estão sem informações.  “O que é preocupante é que o Enem por escola demonstra o quanto o Brasil reproduz desigualdades, entre as privadas, entre as públicas. As escolas que vão bem, são escolas de elite”, diz Cara.

Para o diretor de articulação e inovação do Instituto Ayrton Senna, de São Paulo, Mozart Neves Ramos, “a larga maioria das escolas ainda deixa muito a desejar . “Para mim, mudar o currículo é apenas um lado da moeda. Outro fator muito importante para reduzir a desigualdade que começa na alfabetização é que é preciso ter qualidade e equidade para todos os estudantes e isso passa pela formação do professor”. Ele  acrescenta que é preciso atrair jovens para a carreira de magistério, sobretudo para as áreas de exatas, cujo desempenho dos estudantes é mais baixo.

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