Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

Inesquecível

Uma noite incomum pode se dizer aquela do dia 5 de março de 2008, quem estava no Maracanã ou assistia o jogo pela tevê poderia perceber que aquela não seria mais uma, havia algo “sobrenatural” ali. Nelson Rodrigues com certeza assistia majestosamente com um traje de gala, diga-se de passagem, com o manto tricolor, vestido fielmente como mandava aquele espetáculo que na verdade era uma Noite de Gala, mas que tinha convidados escolhidos a dedo, eram aqueles que tinham no peito um coração batendo fortemente e vibrantemente em três cores, com a esperança, a paz e o amor e que amor, sentimento traduzido por aquele que é o time tricolor, pois como já dizia aquele personagem ilustre: “tricolor só o Fluminense o resto é time de três cores”.

Mas quem reencarnou não foi apenas Nelson Rodrigues, o “Sobrenatural de Almeida” há muito já atuava naquela noite que duvido que seja esquecida não só por tricolores, mas por outros torcedores por que o que se viu ontem não foi uma mera partida de futebol foi um espetáculo. Nos bastidores Nelson Rodrigues e “Sobrenatural de Almeida” antes o segundo agia sozinho, mas agora junto com seu criador e com certeza fã os dois preparavam o espetáculo.

Há mais de uma década proibida a entrada do pó de arroz no palco, deixava a torcida do Flu órfã de uma de suas cores, mas eles souberam agir nos tribunais cariocas e conseguiram a primeira vitória – a volta do Pó de arroz ao Maraca – a festa tava pronta só faltava o brinde e o brinde se repetiu não só uma vez nem duas, mas seis vezes, seis lindas vezes com aqueles gols que jamais saíram da cabeça do tricolor, Dodô parecia endiabrado tomado pelas forças ocultas realizou sua melhor partida, Conca parecia ouvir as vozes de Nelson Rodrigues e fazer as jogadas perfeitas e o que falar do Thiago Neves maestro daquela orquestra, botava a bola onde queria “Sobrenatural de Almeida” que com certeza estava por trás daqueles passes e certamente foi dele o primeiro dos brindes que abriu aquela inesquecível noite.

Provavelmente Nelson Rodrigues encontrava-se em êxtase total assim como todos aqueles que apreciavam aquela maravilha, mas digo com toda certeza nem ele nem qualquer tricolor em seu maior devaneio acreditaria numa vitória tão esplendorosa como aquela que foi ontem e são noites como aquelas que dão orgulho de ser TRICOLOR.

Ao ver uma imagem através da tevê de um senhor dar pulos de alegria e socos no ar quando o Flu faria aquele que seria o terceiro gol, me arrepiei, pensei comigo: “o que faria aquele senhor tarde da noite num estádio em uma cidade perigosa como aquela e vibrando, pulando, fora do seu conforto?” veio uma voz e me disse – meu amigo esse somos nós, ilustres torcedores, não existe torcida mais linda que essa, mais sofremos que vibramos, mas nossas vitórias são únicas ficam para sempre – e essa é a explicação por aquele senhor está ali. Depois daquela voz e do arrepio que senti, apenas observei e aplaudir aquela que foi uma noite espetacular.

Ao fim do jogo com toda aquela alegria transbordante deite-me e assim como Nelson Rodrigues de depois de ter passado uma noite tão maravilhosa voltou ao seu descanso eterno até uma próxima noite tão espetacular, deitou e disse assim como muitos tricolores em suas camas: “É eu sou é tricolor de coração”.