Das raízes libanesas ao interior do Maranhão: conheça a origem das famílias dos principais nomes que querem governar o estado

A disputa pelo Governo do Maranhão em 2026 reúne políticos com trajetórias distintas, mas também chama atenção pelas histórias familiares que existem por trás de alguns dos principais nomes da corrida pelo Palácio dos Leões. Eduardo Braide, Orleans Brandão, Felipe Camarão e Roberto Rocha representam famílias com origens, áreas de influência e relações com a política bastante diferentes.
No caso de Eduardo Braide, a família tem ascendência libanesa e passagem pelo Piauí antes de consolidar sua trajetória no Maranhão. O principal nome da geração anterior é Carlos Braide, pai de Eduardo, economista que ocupou cargos no Governo do Estado e construiu longa carreira como deputado estadual, chegando à presidência da Assembleia Legislativa. A influência política da família passou a se concentrar principalmente na Grande São Luís.
Eduardo ampliou consideravelmente essa presença. Foi deputado estadual, deputado federal e chegou à Prefeitura de São Luís, enquanto seu irmão, Fernando Braide, também ingressou na política e foi eleito deputado estadual. Assim, a família que ganhou espaço na política maranhense a partir da segunda metade do século XX passou a ter dois representantes simultaneamente em posições de destaque.
A história dos Brandão, por outro lado, está profundamente ligada ao interior do Maranhão. A família possui raízes históricas na região de Colinas, com registros que remontam ao século XIX e são associados ao português José Trajano Brandão.
A tradição política ganhou destaque com Carlos Orleans Brandão, médico que foi prefeito de São Domingos do Maranhão, deputado estadual, secretário estadual de Saúde e posteriormente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Seu filho, Carlos Brandão, construiu carreira como deputado federal, vice-governador e governador do Maranhão.
A família chegou a uma nova geração de protagonismo com Orleans Brandão, sobrinho do governador Carlos Brandão. Também se destaca na articulação política Marcus Brandão, irmão do governador. Entre as quatro famílias analisadas, portanto, os Brandão apresentam uma das conexões mais antigas com o interior maranhense e uma presença política que atravessa diferentes gerações.
A trajetória familiar de Felipe Camarão apresenta características diferentes. Os Camarão não possuem histórico de sucessivas gerações ocupando cargos eletivos. A família tem atuação profissional ligada principalmente à medicina, educação e serviço público.
Felipe nasceu no Rio de Janeiro durante o período em que sua mãe estudava Medicina, mas chegou ainda criança a São Luís, onde foi criado. Seu pai, Phil Camarão, é médico maranhense, enquanto sua mãe, Rita Camarão, também é médica. A projeção política do sobrenome está concentrada essencialmente na trajetória de Felipe, que passou por diferentes funções na administração pública, foi secretário estadual de Educação e chegou à Vice-Governadoria do Maranhão.
Já a família de Roberto Rocha tem suas raízes no sul do Maranhão, especialmente na região de Loreto e Balsas. Seu principal nome histórico é Luís Alves Coelho Rocha, pai de Roberto, que chegou ao cargo máximo da política estadual ao governar o Maranhão entre 1983 e 1987.
Luís Rocha consolidou forte influência política no sul do estado e abriu espaço para uma segunda geração. Roberto Rocha foi deputado estadual, deputado federal, vice-prefeito de São Luís e senador da República. Outro filho de Luís Rocha, Luiz Rocha Filho, o Rochinha, também ingressou na vida pública e chegou à Prefeitura de Balsas.
As quatro histórias mostram caminhos distintos até o centro do poder maranhense. Braide representa uma família de ascendência libanesa cuja força política se consolidou principalmente na Grande São Luís; Brandão carrega raízes centenárias no interior e uma tradição política de várias gerações; Camarão vem de uma família ligada às profissões liberais e ao serviço público, sem uma dinastia eleitoral anterior; e Rocha representa uma família política historicamente ligada ao sul do Maranhão e que já chegou ao Governo do Estado.
Em 2026, essas diferentes trajetórias familiares voltam a se encontrar em torno do mesmo objetivo: chegar — ou retornar — ao Palácio dos Leões e comandar o Maranhão pelos próximos quatro anos.





