Letargia de Aparício Bandeira impedirá Corpus Christi de bater recorde nacional de público; Sinfra se posiciona

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A celebração de Corpus Christi de 2026 tinha tudo para entrar para a história. Com a liberação do gramado do Estádio Castelão para receber fiéis, a expectativa inicial era reunir cerca de 60 mil pessoas, consolidando o evento como uma das maiores manifestações públicas da fé católica no Brasil. No entanto, a lentidão da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Sinfra), comandada por Aparício Bandeira, impedirá que esse objetivo seja alcançado.

O motivo é simples: a Sinfra não conseguiu concluir as obras de melhorias do Setor 1 do estádio, espaço com capacidade para aproximadamente 14 mil pessoas. Em março, o espaço foi interditado e prometendo conclusão das obras em 45 dias, mas até agora nada. Com o setor interditado, a celebração perde uma parcela significativa de público e deixa escapar a oportunidade de estabelecer um novo recorde nacional de participação em um evento religioso do gênero.

O problema vai além dos números. Quem acompanha as transmissões de futebol realizadas no Castelão já percebeu o impacto visual causado pela situação. O Setor 1 aparece constantemente coberto por telhas de brasilit, transmitindo uma imagem de abandono e improviso para milhares de telespectadores. Um cartão-postal esportivo do Maranhão acaba sendo exibido de forma precária justamente pela incapacidade de conclusão de uma obra que se arrasta há meses.

Mas este está longe de ser um caso isolado. A prometida pista de atletismo do complexo esportivo Canhoteiro é outro exemplo emblemático da morosidade administrativa da Sinfra. Anunciada desde 2024, a intervenção jamais saiu efetivamente do papel, frustrando atletas, dirigentes esportivos e a população que aguardava um equipamento moderno para a prática esportiva.

A lista de atrasos não se restringe ao Castelão. Diversas rodovias estaduais enfrentam problemas semelhantes, com obras que avançam lentamente ou permanecem longe da conclusão. Enquanto isso, oportunidades de desenvolvimento, mobilidade e melhoria da qualidade de vida são desperdiçadas.

A consequência política dessa lentidão também merece destaque. Em um governo que busca ampliar investimentos e fortalecer sua imagem perante a população, a ineficiência na execução de obras acaba produzindo o efeito contrário. A incapacidade de entregar projetos dentro dos prazos esperados compromete resultados que poderiam fortalecer a gestão do governador Carlos Brandão.

Ao impedir que Corpus Christi alcance um público histórico, a demora na conclusão do Setor 1 do Castelão torna-se mais um símbolo de um problema maior: a dificuldade da Secretaria de Infraestrutura em transformar promessas e projetos em entregas concretas. E, quando as obras não avançam, quem perde não é apenas o governo, mas toda a população maranhense.

A Sinfra se posicionou:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Secretaria de Estado da Infraestrutura (Sinfra) esclarece, em respeito à opinião pública e aos desportistas maranhenses, os critérios técnicos que norteiam as intervenções no Estádio Governador João Castelo (Castelão) e no Complexo Esportivo Canhoteiro, ambos em São Luís, contrapondo informações veiculadas pelo blog do Diego Emir, nesta quarta-feira 03/06, com análises superficiais que desconsideram o rigor da engenharia civil.

1. Sobre as obras estruturais e a cobertura do Setor 1 no Castelão – As intervenções em execução no estádio tiveram início em fevereiro/26 e foram rigorosamente planejadas a partir de laudos técnicos detalhados, elaborados pelo corpo de engenharia da Sinfra. Os diagnósticos apontaram a necessidade prioritária de sanar graves problemas de infiltração que afetavam a estrutura do subsolo do estádio.

Por causa do período chuvoso e pelo fato de os serviços definitivos de impermeabilização das arquibancadas não poderem ser realizados sob chuva, a Sinfra adotou uma estratégia técnica indispensável, que foi a instalação de uma cobertura provisória sobre o Setor 1. Esta medida paliativa foi fundamental para estancar as infiltrações e permitir o avanço seguro dos serviços de recuperação estrutural e requalificação dos ambientes internos do setor.

A remoção da referida cobertura antes do término do período chuvoso representaria uma grave irresponsabilidade técnica, pois a água das chuvas destruiria os serviços de acabamento e recuperação já executados internamente.

Portanto, o que o texto divulgado classifica como “imagem de improviso” é, na realidade, uma proteção técnica provisória e necessária para garantir a segurança da estrutura e a boa aplicação do dinheiro público. A arquibancada do Castelão tem capacidade para 40 mil lugares. Destes, o Setor 1 abriga 14.900.

A Sinfra esclarece que, assim que o período de estiagem se consolidar, as obras estruturais e de impermeabilização definitivas da arquibancada serão executadas e a cobertura provisória será retirada.

A Sinfra ressalta ainda que a estrutura de concreto do Estádio Castelão tem 44 anos de existência e o laudo de engenharia estrutural avaliou que é uma obra bem executada. Porém, a falta de manutenção por longos anos implicou no aparecimento de problemas, como fissuras, trincas e outras patologias que provocaram deterioração da armadura do concreto por corrosão, reduzindo a vida útil da estrutura. O laudo concluiu que, no geral, a estrutura do Estádio Castelão está regular e não apresenta risco de desabamento iminente.

2. Sobre a Nova Pista de Atletismo e o Complexo Canhoteiro – Diferentemente do que foi informado no texto veiculado, o projeto da nova pista de atletismo não está paralisado. A obra já foi devidamente licitada e segue os ritos legais para sua implantação física.

A Sinfra destaca que avaliações técnicas minuciosas demonstraram que o impacto financeiro para recuperar a antiga pista (altamente danificada) equivalia ao valor de se construir um equipamento totalmente novo, moderno e adequado aos padrões atuais. Diante disso, a gestão otimizou os recursos públicos e converteu o antigo espaço em uma nova e ampla área de lazer e para grandes eventos dentro do Complexo do Canhoteiro — integrando e valorizando o espaço para a comunidade —, enquanto prepara o início da construção da nova pista, em conformidade com as exigências esportivas vigentes.

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