PSD, PSDB e DC: o caminho da vitória e a ponte para o futuro

Marcelo Coutinho, Cientista Político, Doutor e Professor Sênior da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Na percepção do eleitor, o futuro e o presente andam juntos.

No Maranhão, as pesquisas mais confiáveis não dão margem à dúvida: Eduardo Braide (PSD) pode vencer a eleição para governador do estado já no primeiro turno. Na AtlasIntel*, o ex-prefeito da capital está com 50,1% dos votos, Orleans Brandão (MDB) com 23,1%, Felipe Camarão (PT) com 14% e Lahésio Bonfim (Novo) com 8,4% das intenções de voto.

Porém, a margem de vitória no primeiro turno para Braide está muito apertada e vem diminuindo. Agora, qualquer pequeno movimento em falso pode levar ao segundo turno. Além disso, e mais importante, espera-se que a máquina eleitoral do estado aumente os votos do sobrinho do governador Brandão de maneira significativa, forçando, assim, um cenário eleitoral mais prolongado, mais acirrado.

Os Leões quando soltos e engajados na eleição pesam muito, pesam demais. O governador é bem avaliado pela população, tem a grande maioria dos prefeitos e puxadores de voto ao seu lado, muitos partidos grandes, e deve se lançar nessa campanha do sobrinho como uma questão de vida ou morte política. E Brandão sabe, como poucos, fazer campanha na cadeira, o sobrinho é a extensão dele e uma esperança de sobrevivência. Por outro lado, Braide tem demonstrado grande força popular, mas ainda está isolado politicamente, num estado pobre onde 84% do eleitorado não está na Capital e que, tradicionalmente, é mais sensível aos apelos da máquina pública.

Se de um lado, Orleans, verdadeiro incumbente, deve crescer na campanha, a grande maioria dos votos de Lahesio deve migrar para Braide, já no primeiro turno sob efeito do chamado voto útil, ou mais provavelmente num eventual segundo turno. Com tudo somado, e já calculando o maior crescimento de Orleans, estima-se que Braide e Brandão fiquem virtualmente empatados em algum momento. E aí a disputa será no detalhe.

Uma aliança entre PSD e PSDB no Maranhão desde já significaria o desempate na corrida eleitoral para o Palácio dos Leões. O apoio dos tucanos pode garantir a vitória a Braide, sendo aqueles 2% decisivos numa eleição que, não se enganem, será muito apertada, no photo sharper. Talvez, será preciso chamar o “VAR” para saber quem venceu ao final.

A maior queixa em relação ao Braide é de uma postura de quase isolamento político, talvez muito em razão da perigosa crença de que já venceu. Isolamento que marcou sua exitosa gestão à frente de São Luís e, aí, possivelmente, ele tente repetir a fórmula. Eis o erro! O eleitorado médio maranhense tem uma consciência política bem diferente da ludovicense. Isto é, a mesma fórmula para ingredientes diferentes resulta num resultado imprevisível. Parece ser a hora de agir estrategicamente. Alianças com campeões de voto precisam ser feitas. Por exemplo, Juscelino Filho, Deputado Federal, ex-ministro e Presidente do PSDB/MA, ainda independente, traria votos novos ao ex-prefeito de São Luís, funcionando como um fiel da balança na disputa eleitoral deste ano. Com Juscelino, Braide só teria a ganhar.

O cenário nacional – com a eleição acirrada para Presidente da República – também torna essa aliança entre o PSD e PSDB bastante natural. Caiado e Aécio estão conversando, e a aliança deve ocorrer em algum momento, o que seria mais um motivo para Braide ter Juscelino em sua chapa. Seria inclusive muito fácil explicar essa chapa pelo peso que têm os dois importantes partidos políticos com uma trajetória em comum e identidades parecidas em vários aspectos.

Outro nome interessante seria o do já pré-candidato ao Senado, Simplício Araújo, presidente do Democracia Cristã no Maranhão. Nome leve, Simplício, também independente, já se coloca bem ao eleitorado com um discurso moderno, equilibrado e bastante associado à linha política do ex-prefeito de São Luís.

Assim, além de romper com a sensação de isolamento e chegar mais forte na campanha, Braide ganharia uma ponte para o futuro desde já com outros partidos, além do seu PSD, ao seu lado. Uma maior governabilidade e um maior apoio junto ao centro de poder nacional, além de uma sinalização clara de um líder que não é um pregador isolado, mas alguém que dialoga, aglutina e, principalmente, tem a necessária visão estratégica. Enfim, a imagem de um político moderno precisa se associar ao pragmatismo. Pelo menos, no Maranhão é assim.

Simplificando, de pouco vale uma promessa futura se ela não se materializa no presente.

*Registro TSE sob o número MA-09846/2026.

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