Grupo Mateus demite mais de 6 mil funcionários e fecha lojas; Varejista teve mais R$2 bilhões de lucro no 1º trimestre de 2026

O Grupo Mateus, uma das maiores redes varejistas do Brasil e líder no Norte e Nordeste, iniciou uma ampla reestruturação operacional que já resultou na demissão de cerca de 6,6 mil funcionários e no fechamento de dezenas de unidades consideradas pouco rentáveis. O movimento marca uma das maiores reorganizações da história recente da companhia fundada pelo empresário Ilson Mateus. O anúncio foi feito na última sexta-feira, 15, quando foi apresentado o lucro bruto somou R$ 2,15 bilhões, crescimento de 16,1%.

Os desligamentos ocorreram principalmente nos estados do Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia, atingindo aproximadamente 14% do quadro total de colaboradores da empresa. Antes das medidas, o grupo mantinha cerca de 47,9 mil funcionários. Após os cortes, esse número caiu para aproximadamente 41,2 mil trabalhadores.

Além das demissões, o Grupo Mateus também acelerou o fechamento de operações com baixo desempenho, sobretudo no segmento de eletrodomésticos e varejo tradicional, lojas do Eletro Mateus e Armazém Pet entraram na lista. Segundo informações do mercado financeiro, ao menos 28 lojas foram encerradas ao longo do processo de reorganização iniciado ainda em 2025.

No entanto, o Grupo Mateus segue 306 unidades em operação e 18 centros de distribuição.

A empresa atribui as medidas à necessidade de aumentar eficiência operacional diante de um cenário econômico mais desafiador. O setor supermercadista vem enfrentando desaceleração do consumo, aumento de custos logísticos, juros elevados e forte concorrência no atacarejo, segmento dominado atualmente por gigantes como Assaí, Atacadão e Carrefour.

Durante teleconferência com investidores, executivos do Grupo Mateus afirmaram que os cortes fazem parte de um “ajuste cirúrgico” para preservar margens de lucro e melhorar a produtividade das operações. Em uma das declarações repercutidas pelo mercado, Ilson Mateus afirmou que “se reduz demais é problema, se reduz de menos fica com despesa”.

Apesar da forte redução no quadro de pessoal, o grupo segue como uma das maiores forças econômicas do Nordeste. A companhia possui centenas de operações entre supermercados, atacarejos, centros de distribuição e lojas de varejo, mantendo presença estratégica em diversos estados da região.

Especialistas avaliam que o impacto social das demissões pode ser significativo, principalmente em cidades do interior, onde o Grupo Mateus figura entre os maiores empregadores privados. Economistas alertam que cortes dessa magnitude afetam diretamente renda, consumo local e arrecadação municipal.

No mercado financeiro, a reestruturação é vista com cautela. Parte dos analistas considera que a redução de custos pode melhorar os resultados da empresa no curto prazo. Outros avaliam que o fechamento de lojas e o encolhimento da operação revelam uma desaceleração mais profunda do consumo regional.

Nos últimos anos, o Grupo Mateus foi símbolo de expansão acelerada no varejo brasileiro, especialmente após sua abertura de capital na Bolsa de Valores em 2020. Agora, a companhia entra em uma nova fase, marcada menos pela expansão e mais pela busca de eficiência operacional e controle de despesas.

10 thoughts on “Grupo Mateus demite mais de 6 mil funcionários e fecha lojas; Varejista teve mais R$2 bilhões de lucro no 1º trimestre de 2026

  1. A recente repercussão sobre o fechamento de unidades e a demissão de mais de 6 mil funcionários pelo Grupo Mateus — em um cenário que contrasta com o lucro superior a R$ 2 bilhões registrado no primeiro trimestre de 2026 — exige uma leitura puramente analítica. Longe de representar uma retração ou crise estrutural da rede, os dados revelam um movimento clássico de reposicionamento de mercado e otimização de ativos.
    O volume de desligamentos reportado não deve ser interpretado como um corte orgânico de pessoal por fragilidade financeira, mas sim como uma consequência direta do encerramento de atividades de unidades específicas. Em operações de grande porte no setor de alimentos, o quadro de colaboradores por loja é robusto. Portanto, o número de demissões mostra-se estritamente proporcional ao volume de pontos de venda desativados, caracterizando um ajuste técnico de folha de pagamento à nova realidade física da empresa.A distribuição geográfica dos fechamentos corrobora a tese de um ajuste de eficiência. Essas unidades desativadas situam-se principalmente nas grandes capitais, onde o custo de ocupação é elevado, as margens são pressionadas e a saturação de bandeiras concorrentes é maior.
    O que se observa no comportamento do grupo não é a diminuição da sua relevância ou do seu tamanho de mercado, mas uma evolução na estratégia voltada ao nicho de maior interesse. O lucro bilionário do primeiro trimestre de 2026 comprova a robustez financeira da varejista e chancela que ela possui capacidade de investimento para financiar sua própria transição operacional, descontinuando operações de menor margem para focar em formatos de maior retorno.
    O encerramento de atividades de lojas específicas e a consequente redução de pessoal refletem a maturidade de uma gestão que realoca seus recursos para garantir a sustentabilidade e a eficiência do negócio a longo prazo. Trata-se de uma troca de volume ineficiente por expansão estratégica e interiorizada.

  2. Péssima logística. Caminhões ficam vários dias aguardando descarga; eu mesmo fiquei da manhã de sexta até a noite de segunda com o baú aberto na doca, no CD de Feira de Santana.

  3. Péssima rede. Tratam funcionários, prestadores de serviços e Fornecedores como se fossem animais. Não existe o minimo de respeito em suas relações.

  4. No geral vários consumidores tem percebido que os preços do Mateus são competitivos com outros atacados apesar da inflação para leite líquido, alguns hortifrutis, café, chocolate e outros. Esperamos que não feche aqui na Bahia.

  5. É contraditório uma empresa continuar altamente lucrativa enquanto promove demissões em massa e fechamento de lojas. Isso mostra uma lógica típica do grande varejo: preservar margem e agradar acionistas vem antes da estabilidade dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, também é simplista dizer que “empresa lucrando não pode cortar custos”. O varejo trabalha com margens apertadas, concorrência brutal e pressão constante por eficiência.

    O problema central é outro: quando empresas gigantes crescem concentrando mercado e depois começam a enxugar operações, o impacto social é enorme — especialmente no Norte e Nordeste, onde o Grupo Mateus tem peso econômico muito forte. Quem perde primeiro e sempre é o trabalhador.

  6. Aqui no Ceará,no início fez com que muitas.pessoas em massa fossem fazer suas compras.mais o desemprego é uma forma de maltratar o trabalhador,sabe-se que todos funcionários reclamam dos tratamentos com eles,trabalham além da carga horária,sendo obrigados a fazerem para terem seus pão de ca dia.

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