Terceirização da vistoria veicular no MA levanta críticas por falhas técnicas e cobrança elevada

A decisão do Detran do Maranhão de terceirizar o serviço de vistoria veicular em todo o estado tem sido alvo de críticas crescentes, especialmente no interior, onde usuários apontam problemas na qualidade do atendimento, na confiabilidade dos laudos e no custo do serviço, que chega a R$ 152,00 por vistoria.
De acordo com relatos, o modelo adotado funciona com a realização das vistorias nas cidades, enquanto as imagens e informações são enviadas por sistema para uma base em São Luís, responsável pela emissão do parecer final. Na prática, porém, motoristas denunciam que a execução local tem sido feita, muitas vezes, por profissionais sem a devida experiência técnica, o que comprometeria a análise dos veículos.
Outro ponto sensível é a ausência de equipamentos adequados para aferições técnicas obrigatórias. Itens como películas automotivas e desgaste de pneus estariam sendo avaliados sem instrumentos de medição, baseando-se apenas em critérios visuais. Em diversos casos, veículos são reprovados — ou aprovados — sem respaldo técnico claro.
A situação se agrava no caso das películas. Segundo as críticas, a aprovação muitas vezes ocorre apenas com base em selos aplicados por instaladores, sem qualquer fiscalização efetiva. Isso abre margem para distorções: veículos com películas fora do padrão legal podem ser aprovados, enquanto outros são reprovados sem critérios uniformes.
O contraste com órgãos como a Polícia Rodoviária Federal (PRF) evidencia o problema. Em fiscalizações nas rodovias, equipamentos específicos são utilizados para medir com precisão o grau de transparência das películas — algo que, segundo denúncias, não ocorre nas vistorias terceirizadas no estado.
Diante desse cenário, cresce a cobrança por maior rigor técnico, padronização dos procedimentos e fiscalização das empresas contratadas. Para especialistas, a terceirização não pode significar flexibilização de critérios, sobretudo em um serviço que impacta diretamente a segurança no trânsito — e pesa no bolso do cidadão.

