PT aprova manifesto com críticas ao neoliberalismo e defende reeleição de Lula em 2026

O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou, durante seu 8º Congresso Nacional, um novo manifesto político que estabelece diretrizes estratégicas para o período de 2026 a 2027, com foco na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na consolidação de um projeto de desenvolvimento nacional baseado em soberania, justiça social e fortalecimento do Estado.
O documento parte de uma análise crítica do cenário global, classificando o momento atual como uma “mudança de época”, marcada pela crise do capitalismo neoliberal, instabilidade geopolítica e avanço de forças autoritárias. Segundo o texto, o modelo econômico vigente falhou em garantir crescimento sustentável e bem-estar social, resultando no aumento da desigualdade, da precarização do trabalho e no enfraquecimento das democracias.
No campo internacional, o manifesto aponta para a perda de hegemonia dos Estados Unidos e o surgimento de novos polos de poder, defendendo maior protagonismo do Brasil em articulações como os BRICS e na construção de uma ordem global mais equilibrada. O partido também critica o uso de sanções e intervenções militares por potências tradicionais, destacando impactos humanitários e violações à soberania de países.
Internamente, o PT faz um balanço positivo do atual governo Lula, destacando a retomada de programas sociais, crescimento econômico, redução da pobreza e valorização do salário mínimo. O texto afirma que o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome, registrou queda histórica no desemprego e ampliou investimentos em áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Apesar dos avanços, o partido reconhece a necessidade de aprofundar reformas estruturais. Entre as propostas estão mudanças nos sistemas político e tributário, reforma do Judiciário, avanço na soberania tecnológica e digital, além de políticas voltadas à reindustrialização e à transição energética. O manifesto também defende a redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1.
Outro ponto central do documento é a defesa da soberania nacional, incluindo o controle sobre recursos estratégicos como as chamadas “terras raras”, consideradas essenciais para o desenvolvimento tecnológico e energético. O partido argumenta que o Brasil deve deixar de ser exportador de matéria-prima e investir no processamento interno desses recursos.
O texto também enfatiza a necessidade de construção de um amplo bloco democrático-popular, reunindo trabalhadores, setor produtivo e movimentos sociais em torno de um novo pacto pelo desenvolvimento. A estratégia inclui fortalecer a organização de base do partido e ampliar sua presença nos territórios e nas novas formas de trabalho.
Por fim, o manifesto reafirma o compromisso do PT com um projeto de longo prazo que combine democracia, desenvolvimento econômico e justiça social, tendo como horizonte o socialismo democrático. O documento aponta as eleições de 2026 como decisivas para a continuidade desse projeto e para o enfrentamento do avanço da extrema-direita no Brasil e no mundo.

