Dinistas se distanciam de Eduardo Braide após sinais claros de desprezo político

A relação entre o grupo dinista e o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, parece ter chegado ao seu ponto de inflexão. Depois de semanas de gestos públicos, acenos políticos e demonstrações explícitas de boa vontade por parte da ala ligada ao ex-governador Flávio Dino, o que se viu em troca foi um silêncio eloquente, um distanciamento calculado e, sobretudo, um recado político claro: Braide não pretende dividir protagonismo com o campo da esquerda maranhense.

Não foram poucos os movimentos feitos pelos dinistas. Estiveram presentes na coletiva do chamado “pacotão de obras” anunciado para São Luís no início de março, ajudaram a dar musculatura política ao ambiente criado por Braide e, mais adiante, saudaram sua renúncia como um gesto de coragem diante da disputa pelo Governo do Maranhão. Em outras palavras, ofereceram sinalizações públicas de que uma composição poderia ser construída.

Mas o retorno foi nenhum.

Braide não agradeceu, não dialogou, não acenou. Pelo contrário: ignorou completamente o grupo que ensaiava se aproximar, partiu para Imperatriz e anunciou um nome para compor seu projeto fora da órbita dinista, sem qualquer conversa prévia. Um gesto que, na prática, foi interpretado como uma declaração de método: quem quiser, que siga; quem não quiser, que se organize por conta própria.

O recado foi compreendido.

Dentro do campo dinista, já há uma leitura consolidada de que insistir em Braide pode significar irrelevância política no curto prazo e dependência eleitoral no futuro. E, para quem deseja sobreviver nas urnas e continuar disputando espaço em 2026, o melhor caminho agora é demarcar território próprio.

É nesse contexto que ganha força a necessidade de Felipe Camarão disputar o Governo do Maranhão. Mais do que uma candidatura para vencer de imediato, seria uma candidatura para marcar posição, preservar capital político e, principalmente, começar desde já a construir um projeto maior mirando São Luís em 2028. Em política, quem não ocupa espaço acaba sendo ocupado.

A mesma lógica vale para Márcio Jerry e Othelino Neto. Ambos já perceberam que, para terem sucesso na disputa por vagas na Câmara Federal, precisarão montar uma estratégia independente. Apostar em Braide como esteio político pode ser um erro fatal. Com o prefeito, o cenário que se desenha para aliados circunstanciais é o de um verdadeiro “deserto eleitoral”: muito poder concentrado, pouca partilha e quase nenhum compromisso com quem chega depois.

Braide parece cada vez mais decidido a seguir sozinho, apostando em sua popularidade e em uma lógica de liderança vertical, sem grandes concessões e sem amarras ideológicas. Pode até funcionar no curto prazo. Mas, para os dinistas, a lição já foi assimilada: não há espaço para coadjuvantes em um projeto que não faz questão de aliados.

E na política, quando o convite não vem, o mais inteligente é não esperar na antessala.

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