Silêncio Oficial: Prefeitura de Paço do Lumiar ignora morte de Bia Venâncio

A morte da ex-prefeita de Paço do Lumiar, Bia Venâncio, aos 72 anos, marcou o fim de um capítulo controverso da política luminense. Governando o município entre 2009 e 2012, sua gestão foi amplamente associada a escândalos e investigações que repercutiram no Maranhão. Ainda assim, trata-se de uma ex-chefe do Executivo municipal — cargo máximo da cidade — e, por si só, parte da história institucional de Paço do Lumiar.
O que chama atenção, porém, não é apenas o passado político da ex-prefeita, mas o silêncio ensurdecedor da atual administração. A Prefeitura de Paço do Lumiar não decretou luto oficial e tampouco emitiu qualquer nota ou comunicado institucional sobre o falecimento. Nenhuma manifestação pública. Nenhum registro formal. Nada.
Em casos semelhantes, independentemente de divergências políticas ou avaliações sobre a gestão, é praxe que o poder público adote uma postura institucional, separando o julgamento político do reconhecimento histórico. O luto oficial não representa endosso ou absolvição de gestões passadas; simboliza respeito ao cargo que foi ocupado e à memória institucional do município.
O atual prefeito, Fred Campos, que foi um dos principais fornecedores durante a gestão de Bia Venâncio entre 2009 e 2012, conhece de perto aquele período administrativo. Justamente por isso, o silêncio causa ainda mais estranheza. Não se trata de defender legado ou apagar controvérsias, mas de observar o mínimo protocolo institucional.
A ausência de qualquer manifestação oficial levanta questionamentos: trata-se de uma decisão política deliberada? Um gesto simbólico? Ou simplesmente descaso administrativo?
A história política de um município é feita de acertos e erros, de luzes e sombras. Ignorar a morte de uma ex-prefeita não apaga os fatos, mas evidencia a dificuldade de lidar com o passado. A política pode ser feita de disputas, mas a institucionalidade exige postura.
O silêncio, neste caso, também comunica.

