“Eu vejo o futuro repetir o passado”: Braide reedita o “pacotão” de Jackson Lago?

Essa vai para quem tem a memória curta. A política maranhense tem dessas ironias históricas. O movimento que o prefeito Eduardo Braide está prestes a fazer nesta quinta-feira (5), ao anunciar um novo “pacotão” de obras, lembra — e muito — um dos últimos atos de Jackson Lago como prefeito de São Luís, em 2002, às vésperas de deixar o cargo para disputar o Governo do Maranhão.

Naquele ano, Jackson apresentou um ambicioso conjunto de intervenções urbanas que soavam como um cartão de visitas para todo o estado. Era mais que gestão: era vitrine eleitoral.

O pacotão de 2002

Às vésperas da renúncia, Jackson Lago anunciou dez grandes obras:

  • Terminal da Integração do Cohatrac

  • Reforma da Avenida Magalhães de Almeida

  • Melhoria urbanística do trecho da João Lisboa ao Mercado Central

  • Centro de Comércio Informal (Rua Grande e Magalhães de Almeida)

  • Reforma e modernização do Mercado Central

  • Memorial do Bumba-meu-boi

  • Museu do Folclore Maranhense

  • Memorial da Raça Negra

  • Memorial Maria Aragão

  • Mirante da Cidade (Tamancão)

  • Construção do Parque do Diamante

  • Reforma da Fábrica Cidade da Cultura (ao lado do Ceprama), com projeto de 4 cinemas, 24 lojas, 7 bares e 4 restaurantes

O discurso era grandioso. A promessa, sedutora. A narrativa, estrategicamente alinhada com o projeto de chegar ao Palácio dos Leões.

Mas a história foi implacável: 24 anos depois, apenas o Terminal do Cohatrac, o Camelódromo (Centro de Comércio Informal), a reforma da Avenida Magalhães de Almeida e a Praça Maria Aragão efetivamente saíram do papel. O restante ficou na memória, nos arquivos e nas manchetes da época.

Jackson perdeu a eleição de 2002 para José Reinaldo Tavares. Contudo, quatro anos depois, deu a volta por cima e venceu em 2006. O “pacotão” não foi suficiente para garantir vitória imediata, mas ajudou a consolidar imagem e musculatura política.

O paralelo inevitável

O contexto atual favorece comparações. Assim como Jackson à época, Braide vive um momento de alta popularidade. Jackson foi eleito pela Folha de S.Paulo como o melhor prefeito do Brasil em seu tempo. Braide, por sua vez, ostenta uma das maiores taxas de aprovação entre prefeitos de capitais no país.

A diferença é que Braide parece ter uma condição ainda mais favorável: maior controle político, menos enfrentamentos diretos com grupos tradicionais e uma comunicação muito mais ajustada aos tempos das redes sociais.

O anúncio desta quinta-feira não é apenas administrativo. É simbólico. É o tipo de movimento que sinaliza ambição estadual. A pergunta que ecoa nos bastidores é simples: estamos diante da construção de uma candidatura ao Governo do Maranhão?

Futuro repetindo o passado?

A política não se repete exatamente, mas rima — como diria o clichê. O gesto de lançar um pacote robusto de obras às vésperas de um possível salto maior tem cheiro de roteiro conhecido.

A diferença crucial está no desfecho. Jackson saiu derrotado em 2002, mas plantou a semente que germinaria em 2006. Braide pode tentar encurtar esse caminho.

Se o novo “pacotão” será vitrine concreta ou promessa inflada, só o tempo dirá. A história mostra que anúncios grandiosos exigem execução consistente — caso contrário, transformam-se em munição para adversários.

Por ora, o que se vê é um prefeito popular preparando um movimento de alto impacto. E, mais uma vez, São Luís pode estar servindo de palco para uma disputa que ultrapassa seus limites geográficos.

O passado está ali, como espelho. Resta saber se o futuro refletirá a mesma imagem — ou se escreverá um capítulo diferente.

1 thought on ““Eu vejo o futuro repetir o passado”: Braide reedita o “pacotão” de Jackson Lago?

  1. As propostas do Jackson não foram cumpridas totalmente e por falta de opção aproveitou a oportunidade e chegou ao governo ,mas infelizmente se perdeu no governo e deu no que deu ,um desastre.

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