Troca constante de comando na SMTT aprofunda crise do transporte público em São Luís

A sucessão de mudanças no comando da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) de São Luís tem contribuído diretamente para o agravamento da crise do transporte público na capital maranhense. A instabilidade administrativa expõe fragilidades na condução de uma das pastas mais estratégicas da estrutura municipal, responsável por serviços essenciais que impactam diariamente a vida da população.

Às vésperas de uma nova paralisação dos rodoviários, anunciada para esta sexta-feira (30), a Prefeitura promoveu mais uma troca de secretário. Deixa o cargo Maurício Itapary e assume Manuela Fernandes, que ocupava a presidência do Instituto de Previdência e Assistência do Município (Ipam). A mudança ocorre em um momento crítico, marcado por tensão entre trabalhadores, empresários e o poder público.

Desde o início da gestão do prefeito Eduardo Braide, a SMTT já passou pelas mãos de sete secretários: Cláudio Ribeiro, Diego Baluz, Diego Rodrigues, Rafael Kriek, Daniel dos Santos, Maurício Itapary e, agora, Manuela Fernandes. O histórico evidencia a falta de continuidade administrativa e a ausência de um projeto consistente para o setor.

Além da rotatividade no comando, o transporte público de São Luís sofre com a falta de planejamento e de diretrizes claras. A constante troca de gestores impede a consolidação de políticas públicas e dificulta qualquer tentativa de solução estrutural. Na prática, os secretários mal conseguem se inteirar das especificidades do sistema antes de deixarem o cargo.

Os reflexos dessa instabilidade são sentidos diretamente pela população. O sistema acumula problemas como atrasos salariais, impasses sobre subsídios, denúncias de descumprimento de contratos e decisões judiciais, além de sucessivas paralisações dos rodoviários, que utilizam a suspensão do serviço como forma de pressionar por seus direitos.

Enquanto a Prefeitura atribui as greves aos empresários do setor, a crise se intensifica em meio a um cenário de desorganização administrativa e fragilidade na gestão da SMTT. Os gestores, muitas vezes nomeados em pleno auge das crises, acabam deixando a pasta sem apresentar soluções concretas.

Diante desse quadro, o órgão responsável por garantir a qualidade do transporte público segue imerso em instabilidade, enquanto a crise, iniciada no núcleo da administração municipal, continua se espalhando pelas ruas da cidade e penalizando milhares de usuários que dependem diariamente dos ônibus para se deslocar em São Luís.

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