Associação Maranhense de Psiquiatria repudia condução de ação judicial sobre nome do Hospital Nina Rodrigues

A Associação Maranhense de Psiquiatria (AMP) divulgou, nesta semana, uma nota pública de repúdio à forma como vem sendo conduzida a ação judicial que discute a manutenção da homenagem ao médico psiquiatra maranhense Raimundo Nina Rodrigues na denominação do Hospital Nina Rodrigues, em São Luís.

No documento, a entidade afirma reconhecer que o debate foi impulsionado por questionamentos relacionados a ideias hoje amplamente rejeitadas e por preocupações consideradas legítimas. Ainda assim, a AMP sustenta que discussões dessa natureza exigem rigor histórico, responsabilidade institucional e equilíbrio, alertando para o risco de simplificações que resultem em apagamento simbólico da história ou na transformação de uma medida meramente nominal em resposta a problemas estruturais.

A associação destaca que a história é um campo dinâmico, no qual revisões e novas interpretações são legítimas e podem ampliar a compreensão coletiva. No entanto, segundo a AMP, essas revisões não devem ser confundidas com a supressão simbólica de elementos históricos, especialmente quando não há demonstração de benefício assistencial direto à população.

Na avaliação da entidade, a eventual mudança do nome de um equipamento público de saúde, por si só, não enfrenta as reais necessidades da saúde mental no Maranhão. Entre os principais desafios apontados estão a ampliação do acesso aos serviços, a melhoria das condições de atendimento, o fortalecimento da rede de atenção, a capacitação permanente das equipes e a redução do estigma que ainda recai sobre pessoas com transtornos mentais.

Ao final da nota, a Associação Maranhense de Psiquiatria reafirma que o debate sobre a denominação do hospital não deve desviar o foco do que considera essencial: o fortalecimento concreto e contínuo da política de saúde mental no estado.

A nota é assinada por Bruno Palhano, presidente da AMP, e datada de 23 de janeiro de 2026, em São Luís.

2 thoughts on “Associação Maranhense de Psiquiatria repudia condução de ação judicial sobre nome do Hospital Nina Rodrigues

  1. Para registro o médico Nina Rodrigues foi um dos principais idealizadores do EUGENISMO no Brasil, corrente que defendia a melhoria genética dos brasileiros, acreditando que existia uma raça superior humana. Foi também um dos principais formuladores e disseminadores do RACISMO CIENTÍFICO, defendia a hierarquização da raça humana, alegando superioridade ou inferioridade baseada na biologia, tendo como base o formato do crânio e sua cor.

    Este senhor defendia que abertamente que existiam “raças inferiores” (negros e indígenas) e que a miscigenação causava a “degeneração” do povo brasileiro.

    O Maranhão possui muitos outros grandes homens e mulheres, médicos ou não, que poderiam ser homenageados com o nome do hospital e que foram pessoas que realmente elevaram a condição humana e o desenvolvimento do Maranhão e do Brasil.

  2. Senhor Juarez Mota, sugiro ao ilustre senhor, que leia a Revista FAPESP nº 357 de novembro de 2025 que tem um matéria sobre Nina Rodrigues cujo título é: “Memória: Nina Rodrigues tentou explicar as desigualdades sociais por meio da raça”. O médico se destacou também na área da medicina forense, que aplica conhecimentos médicos e científicos para auxiliar a justiça na resolução de questões legais. Antes dele, o Brasil não tinha métodos, laboratórios nem manuais para legistas. “Muitas vezes, quando uma pessoa morria, o corpo era examinado superficialmente na delegacia e depois enterrado ou descartado”. “Nina começou a falar da importância dos laboratórios e fazer análises rigorosas e detalhadas dos cadáveres para determinar a causa das mortes.” Entre o século XIX e a década de 1930, com base em um suposto fundamento científico, vários estados norte-americanos adotaram medidas eugenistas, como a castração de doentes mentais e criminosos. No Brasil, a única política eugenista apoiada abertamente pelo governo federal, por meio da Constituição de 1934, foi o estímulo à “educação eugênica”, segundo a qual o melhoramento racial poderia ser alcançado pela procriação entre as pessoas de raças classificadas como mais evoluídas.

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