Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

Em artigo, deputados criticam gestão de Bolsonaro na pandemia: ‘Atitudes inconsequentes’

26 de março de 2021 : 07:25

O Globo

O bolsonarismo asfixia o Brasil. Tenta nos sufocar com sua agenda negacionista e atitudes inconsequentes. Tudo o que estamos vivendo hoje já era uma crônica de muitas mortes anunciadas. Se você ainda tem alguma dúvida, recomendo o documentário Timeline Covid-19 Brasil, disponível no YouTube, para lembrar o que vivemos no ano passado. Está lá, para todos verem.

Nós, autores deste artigo, fomos testemunhas do método bolsonarista de “gestão”, um “método” baseado no quanto pior, melhor. O resultado está estampado nos números da pandemia. Se alguém ainda quer bancar a Poliana e acreditar que o bolsonarismo vai se enquadrar na racionalidade, vai cair do cavalo de novo. A conversa não é mais sobre o futuro, é sobre a dor de agora. Aqueles que tapam o sol com a peneira e fingem não entender o que acontece ao nosso redor carregarão a culpa da tragédia que se instalou no país.

Se, por um lado, o bolsonarismo nos trouxe até aqui, ele também provocou a mexida de placas tectônicas da política que estavam adormecidas. Centro, direita ou esquerda já não fazem mais nenhum sentido quando temos 300 mil mortos, crise de desabastecimento, inflação, 14% de desempregados, milhões de alunos fora da escola, um plano de imunização fantasma, interferências nas estatais, ataques constantes à ciência, às instituições, aos direitos humanos, uma polícia política dentro do governo perseguindo adversários e tantas outras aberrações.

Leia:Marco Aurélio nega liminar a Bolsonaro e mantém isolamento decretado por governadores

O bolsonarismo não entende a política como meio de resolução de conflitos. As palavras consenso e adversário não existem no dicionário da seita. A política é só um meio de aniquilar seus inimigos. Eles inauguraram uma outra corrente de “pensamento” que está fora de qualquer eixo ideológico e que não cabe dentro de um estado democrático. E é por essa razão que esquerda, centro e a direita têm agora uma oportunidade única de se sentar à mesa e pensar o país, construir um projeto de Brasil e uma oposição unida contra este método perverso de se fazer política.

Dentro deste contexto de desilusão e falta de perspectiva nasce um grupo de parlamentares independentes, de diferentes partidos, ideologias e pensamentos para somar forças contra a tragédia que estamos vivendo. Não é sobre o que virá, é sobre o que está ocorrendo agora. Nós, que assinamos esta carta, e vários deputados e deputadas que representamos, temos enormes diferenças sobre gestão pública, mas para se falar de gestão pública é preciso garantir que a democracia esteja viva e que as instituições funcionem livremente.

Nosso objetivo é fortalecer essa corrente onde todos os parlamentares que desejam discutir o Brasil a fundo, sem distinção de credo, religião ou ideologia, possam se sentar à mesma mesa. O brasileiro que depende do auxílio emergencial, e que está sem capacidade de planejar seu futuro, não está nem aí se o auxílio é de direita ou de esquerda. O brasileiro que perdeu um familiar para a Covid não tem tempo pra teorias da conspiração. Quando a miséria e a falta de perspectiva dominam, esqueçam o debate ideológico do Twitter.

A seita que nos governa adotou a lógica de casta para exercer o poder. Só serão servidos aqueles que compartilharem da sua visão de mundo. O restante, ou se converte ou ‘que se dane’, como diria o presidente. Por mais que muitos achem que Bolsonaro é um bufão e que suas ameaças são apenas palavras ao vento, seu péssimo exemplo influencia muita gente. Conter esse desastre é nossa missão dentro do Parlamento.

Este grupo nasce para combater a política de castas e restabelecer a ordem legal e democrática no país, começando por: 1) exigir que o governo garanta os insumos básicos para o funcionamento dos hospitais, como respiradores e anestésicos e 2) e apresente um cronograma real de vacinação do país.

Hoje, quando publicamos esta carta, mais de 300 mil brasileiros perderam a vida e milhares estão intubados tentando respirar. Bolsonaro e seu séquito vão seguir asfixiando o país com o método que lhes é peculiar. Cabe a nós, do centro, da esquerda e da direita civilizada, agir para evitar que o país perca o ar por completo.

O artigo é assinado por Tabata Amaral (PDT), Orlando Silva (PCdoB), Fabio Trad (PSD), Prof. Israel Batista (PV), Mario Heringer (PDT), Paulinho da Força (Solidariedade), Raul Henry (MDB), Kim Kataguiri (DEM), Rodrigo Maia (DEM), Júnior Bozzella (PSL), Tadeu Alencar (PSB), José Guimarães (PT), Joenia Wapichana (Rede), Marcelo Freixo (PSOL), Wolney Queiroz (PDT), Gastão Vieira (PROS).

5 comentários em “Em artigo, deputados criticam gestão de Bolsonaro na pandemia: ‘Atitudes inconsequentes’”

  1. 4 semanas atrás  

    Meu Nobre Gastão queria que V.Exa, comentasse como esta a gestao do F.Dino com a situação da Covid aqui no Estado do Maranhão pelo visto deve esta uma beleza né comente ai sr Gastão quem não te conhece que te compre te compre.

  2. CARLOS NUNES

    4 semanas atrás  

    O deputado Gastão Vieira esqueceu de informar que, na grande maioria das votações, o mentiroso parlamentar votou seguindo as orientações do seu partido, o PROS, que vota cegamente em todas as propostas do presidente Bolsonaro. Então nobre parlamentar você não de uma bolsonarista mentiroso

  3. CARLOS NUNES

    4 semanas atrás  

    O deputado Gastão Vieira esqueceu de informar que, na grande maioria das votações, o mentiroso parlamentar votou seguindo as orientações do seu partido, o PROS, que vota cegamente em todas as propostas do presidente Bolsonaro. Então nobre parlamentar você não de uma bolsonarista mentiroso.

  4. CARLOS NUNES

    4 semanas atrás  

    Porque o parlamentar não fala que votou em quase todas as propostas do governo Bolsonaro,

  5. Vinicius

    4 semanas atrás  

    A nota está assinada pelo lixo que habita o Congresso, alguns dos quais deverão perder a boquinha no próximo ano. Gastão Vieira já passou do ridículo querendo agradar Flávio Dino a quem deve a vaga que ocupa na Câmara e para qual não foi eleito.

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