Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

Qual o preço da coerência política? Quanto vale um posicionamento político?

18 de outubro de 2020 : 07:31

É senso comum na política ouvir a seguinte a frase: todos são farinha do mesmo saco. Esse é o discurso cansado e surrado da população brasileira, que já não aguenta mais as mesmas histórias de corrupção, uma atrás da outra e da falta completa de coerência dos políticos brasileiros. Mas vez por outra aparece alguém, que parece acabar dando sentido ao ditado popular – encontrar uma agulha no palheiro. E aí surge uma nova esperança… Porém, infelizmente alguns políticos insistem em possuir preços e não valores, e aí desfazem rapidamente esse sentimento de que pode ser diferente.

Exemplificando bem as questão de valores é necessário começar a destacar o que são partidos hoje no Brasil, meras siglas de alugueis e conveniência política. No total, existem 33 partidos registrados na Justiça Eleitoral com exceção de raros, a maior parte serve apenas para alimentar o pragmatismo político brasileiro. Tão surrados e desgastados, muitos tem trocado o famoso P inicial de Partido por alguma denominação ou até mesmo verbos encorajadores.

Existe empresário no partido de ideologia comunista, existe socialista no partido de ideologia liberal, existe ateu no partido que defende princípios religiosos, enfim não há uma coerência na escolha partidária no país, salvo raras exceções.

Por isso que é fácil encontrar políticos de dois mandatos, por exemplo, que já passaram por quatro partidos políticos e todos das mais diferentes matizes ideológicas. Troca a sua filiação em média dois anos, sem nenhum pudor e sem punição alguma. É raro encontrar um caso de cassação por infidelidade partidária no Brasil.

Porém para justificar certos comportamentos mundanos, acaba se utilizando da retórica da perseguição, que a classe política é contra a sua atuação e quer impedir o seu crescimento político.

Aquela figura que chama atenção, que causa a expectativa de que será diferente, geralmente tem origem humilde, vence na vida através do seu próprio esforço, valoriza a família e acaba tendo uma postura combativa no desempenho de suas atividades, pois não aceita a fragilidade do poder público e as injustiças sociais.

Porém quanto maior o depósito de expectativa de que algo vai ser diferente, maior é a decepção. E como para a maioria que vive na política, existe preço e não valores. Estes são facilmente atraídos por ofertas que podem trazer uma resolução dos problemas financeiros que estão mergulhados, porém não calculam que vão acabar destruindo algo maior e impossível de se calcular: o capital político.

Muitos políticos acabam optando por continuar caindo no “canto da sereia” ou seja naquilo que ilude, promessas de algo bem melhor. No inicio, tudo é festa, mas depois que a música para, vem a ressaca e todo aquele encantamento é desfeito.

São inúmeros os casos no país de políticos que tinham uma trajetória para deixar marcada na história, porém optaram pelo caminho mais florido e esse geralmente leva ao vale do ostracismo, do esquecimento político e da rejeição popular.

Mas alguns retrucam: “pelo menos eu resolvi meus problemas e fiquei rico”… Pelo menos, ficou claro que no caso de alguns fica evidente que valores possuem preço, porém isso não paga a coerência política…

Deixar um comentário

HTML tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>