Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

História recente mostra que caso Flávio Dino opte por terminar mandato de governador no cargo pode cair no ostracismo político

29 de agosto de 2021 : 06:36

Muito se especula que Flávio Dino (PSB), opte por terminar o mandato de governador, isso o deixaria fora de qualquer disputa eleitoral em 2022. Porém o histórico recente mostra que os optantes por este fim caíram no ostracismo político.

O caso mais lembrado é o de Zé Reinaldo em 2006. Ele decidiu ficar até o fim para garantir a vitória de Jackson Lago, caso contrário entregaria o mandato a Jura Filho que era aliado da família de Sarney e com certeza apoiaria o projeto de Roseana.

Zé Reinaldo até obteve sucesso eleitoral com Jackson, mas nunca mais alcançou o protagonismo no Maranhão. Foi derrotado em 2010 quando disputou o Senado, 2014 foi preterido, restando-lhe a vaga de deputado federal e 2018 foi derrotado novamente no Senado. Hoje vive de uma sinecura na Emap.

Roseana é outro exemplo recente. Em 2014, optou por tirar “férias” e ficou até às vésperas do fim do seu mandato. Não elegeu o sucessor. Em 2018 tentou voltar ser governadora, mas foi derrotada no primeiro turno. Agora para 2022 tem convicção que o cargo de deputada federal está de bom tamanho para sua estatura política atual.

Zé Reinaldo e Roseana pagam o preço por escolhas que julgaram ser certas a tomar naquele momento, porém ambos devem refletir muito sobre tal escolhas, afinal se tivessem tomado posições diferentes, hoje poderiam estar em outra situação.

Assim como estiveram José Sarney que optou por não ficar no cargo até o fim em 1965 e disputar o cargo de senador, foi eleito e dominou a política maranhense por quase 50 anos, chegando a ser presidente da República.

João Castelo em 1982 também optou por disputar o Senado, foi eleito e exerceu protagonismo na política maranhense até 2012, quando terminou o mandato de prefeito de São Luís.

Cafeteira e Lobão são outros exemplos que optaram por não terminar o mandato, e por anos exerceram forte influência no cenário político maranhense após serem eleitos senadores.

É óbvio que o momento é outro, mas Flávio Dino deve avaliar o histórico dos seus antecessores ao ter optado por terminar o mandato de governador ou ter saído antes para concorrer a outro cargo eletivo.

Histórico

José Sarney – Governador entre fevereiro de 1966 e maio de 1970, renunciou para disputar o Senado. Venceu em 1970, foi reeleito em 1978, assumiu a presidência da República em 1985. E ainda foi senador no Amapá de 1991 a 2015.

Pedro Neiva de Santana – Governador entre 1971 e 1975, terminou no cargo e não conseguiu ocupar outra função.

Nunes Freire – Governador entre 1975 e 1979, terminou no cargo e não conseguiu ocupar outra função.

João Castelo – Governador entre 1979 e 1982, renunciou o cargo e disputou o Senado, venceu e ficou até 1991. Foi deputado federal em 1999 até 2007 e 2015 a 2017. Foi prefeito de São Luís entre 2009 e 2013.

Luís Rocha – Governador entre 1983 e 1987, ficou até o fim no mandato e só conseguiu ser prefeito de Balsas entre 1997 e 2001.

Epitácio Cafeteira – Governador entre 1987 e 1990, renunciou para disputar o Senado, função que ocupou até 1999 e voltou a ocupar entre 2007 e 2015.

Edison Lobão – Governador entre 1991 e 1994, renunciou para disputar o Senado, função esta que ocupou entre 1995 e 2019.

Roseana Sarney – Governadora entre 1995 e 2002, renunciou o segundo mandato para disputar o Senado, foi eleita, exerceu função de líder de Lula, foi reeleita governadora em 2010, após assumir o mandato em 2010 por conta da cassação de Jackson. Em 2014, optou por ficar até o fim e até então não ocupou mais cargo público.

Zé Reinaldo – Governador entre 2002 e 2006, ficou até o fim do mandato. Elegeu seu aliado Jackson Lago, mas só conseguiu a função de deputado federal entre 2015 e 2019.

 

Um comentário em “História recente mostra que caso Flávio Dino opte por terminar mandato de governador no cargo pode cair no ostracismo político”

  1. helena

    1 ano atrás  

    Essa manchete ficou um pouco confusa e não se consegue compreender, se lermos só ela, o que o autor da matéria quer dizer.

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