Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

A coerência de Max Barros, a incoerência de Bira do Pindaré e a falta de interesse dos demais deputados

A Assembleia Legislativa do Maranhão viveu um dia atípico nesta quinta-feira (17), algo que só ocorre quando se vai votar a Lei Orçamentária Anual ou algum projeto de extrema importância enviado pelo governo estadual, ou seja, uma ou duas vezes por ano o parlamento consegue registrar a presença de mais de 83% dos seus membros, assim como nesta data. E semelhante a importância da LOA, entrou em pauta a votação de um empréstimo de R$444.750.000,00 junto à Caixa Econômica Federal para obras estruturantes. Dos presentes, apenas oito se manifestaram sobre o assunto e a discussão foi bem inferior as cinco horas de sessão semelhante em 2012, quando um empréstimo foi solicitado junto ao BNDES.

Cabe aqui uma reflexão do atual momento que vive o parlamento e um breve relato que do ocorreu na manhã desta quinta-feira (17).

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Max Barros se mostrou coerente e com capacidade técnica de argumentação

Em meio a uma aprovação cheia de atropelos do empréstimo, se destacaram Max Barros (PRP) e Bira do Pindaré (PSB), o primeiro pela sua coerência e capacidade técnica de discorrer sobre o assunto, já o segundo pela sua incoerência e a oportunidade que perdeu de ficar calado.

O dito independente, Max Barros, apresentou um discurso que mais ajudou o governo estadual que os demais proferidos na defesa exacerbada pelos aliados do Palácio dos Leões. O ex-secretário de Infraestrutura do governo Roseana Sarney (PMDB), conseguiu ponto a ponto explicar a importância de tomar o empréstimo neste momento, assim como foi necessário em 2012, quando R$3,8 bilhões foram solicitados ao BNDES.

Max Barros lembrou que o Maranhão tem capacidade para pedir empréstimo, porque o atual governo encontrou as finanças do Estado  totalmente saneadas. “Talvez não tem nenhum estado na Federação que tinha as finanças tão saneadas como tem o Estado do Maranhão. O saneamento das finanças do Estado não se faz em um ano. É um longo período para que isso aconteça”, argumentou.

O posicionamento de Max Barros demonstra total coerência, independente do momento político em que ele está vivendo, hoje sendo considerado um deputado que não é da base aliada governista. O parlamentar sabiamente lembrou que caso não existisse o valor do empréstimo solicitado por Roseana, a gestão de Flávio Dino estava inviabilizada por falta de recursos.

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Bira do Pindaré: o incoerente e que soa como oportunista

Ao contrário do parlamentar do PRP, está o intempestivo Bira do Pindaré. Em 2012, quando gostava de gritar das tribunas do plenário Nagib Haickel, ele chegou a classificar a proposta de empréstimo como algo apresenta de uma celeridade impressionante pelo governo estadual, que resultou na aprovação do empréstimo, existindo a ausência de debates e discussão, o que seria prejudicial a transparência e a responsabilidade da administração pública.

Porém, Bira esqueceu que o governo Flávio Dino (PCdoB), enviou na última quinta-feira (10), o projeto para Assembleia Legislativa e sem discriminação de informações extremamente importantes como: a taxa da cobrança de júros, o prazo para pagamentos, os municípios que vão ser beneficiados entre outros, acabou entrando em votação.

O prazo foi extremamente exíguo para a discussão da proposta, afinal em sete dias é impossível discutir a fundo a tomada de um empréstimo de mais de R$400 milhões, ainda mais sem os detalhamentos do uso do dinheiro. Quatro anos atrás no dia 31 de outubro, Bira classificou o governo Roseana: “Esse é um governo que não tem transparência”. Já nesta quinta-feira (17), ele adotou uma opinião totalmente contrária sobre a medida e defendeu: “Este empréstimo é algo muito importante para o Estado do Maranhão, é importante para o povo”.

Com o apelido de quero-quero, afinal ele vem sendo conhecido como alguém que quer tudo: ser senador, prefeito, secretário, deputado federal etc. Bira do Pindaré vai ficando marcado pela incoerência política. Não à toa, ele pegou um pito do colega de parlamento, Alexandre Almeida (PSD): “O destino nos guarda momentos interessantes. Bira do Pindaré, que outrora era contrário a empréstimos, agora é advogado de empréstimo aqui nesta Casa. Obrigado destino”, ironizou o socialista que era petista e que em breve pode se tornar comunista ou pedetista.

Adriano na tribuna 19 05 2016 foto Kristiano Simas Agencia Assembleia
Adriano criticou o pedido de empréstimo que não tem nenhuma previsão orçamentária

Vale mencionar ainda o papel de Eduardo Braide (PMN) e Adriano Sarney (PV), nos questionamentos em relação a proposta. O primeiro apresentou elemento técnicos que não conseguiram ser respondidos pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Rafael Leitoa (PDT), por fim solicitou um novo adiamento da votação para melhor discussão, mas acabou sendo voto vencido.

Já Adriano lembrou a falta de coerência de muitos e alertou: “Esse Programa Maranhão Mais Justo e Competitivo em Infraestrutura não existe. Ele não existe no PPA, ele não existe em Lei Orçamentária, esse programa é inexistente. O governador simplesmente criou esse programa colocando-o aqui num projeto de lei mal redigido e incompleto”.

Pelo lado governista, cabe o destaque a Rafael Leitoa que mais uma vez atropelou os questionamentos oposicionistas e tocou o projeto para aprovação na Comissão e Rogério Cafeteira (PSB), que como líder do governo foi o responsável por responder os questionamentos oposicionistas. “Esse governo respeita a legalidade”, sentenciou.

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Rogério mais uma vez respondeu aos questionamentos da oposição e garantiu a aprovação do empréstimo

Ao ser colocada em votação, apenas a deputada estadual Andréa Murad (PMDB), votou contra a proposta. Eduardo Braide votou pela aprovação, mas com ressalvas e os ausentes foram: Edilázio Júnior (PV), Graça Paz (PSL), Hemetério Weba (PV), Júnior Verde (PRB), Raimundo Cutrim (PCdoB), Sousa Neto (PROS) e Wellington do Curso (PP).

Por fim fica a percepção da total falta de interesse no assunto por ampla maioria dos parlamentares, que pareciam completamente aéreos a discussão ou simplesmente desinteressados, apenas marcando presença no parlamento para garantir o voto “sim” e mostrar para o Palácio dos Leões que estão trabalhando como aliados. Muitos ficavam no celular, outros conversando de forma paralela e alguns caindo na gargalhada – semelhante a hienas – com a série de questionamentos que eram feitos pela oposição ou respostas que eram dadas pelo governistas, transmitindo a sensação de que o plenário está mais para um picadeiro do que para uma Assembleia de legisladores.