Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

Clarissa Garotinho: “meu pai não é bandido”. No Brasil, o conceito que cadeia é para pobre e preto está mudando

18 de novembro de 2016 : 10:28

clarissagarotinho“MEU PAI NÃO É BANDIDO, QUEREM MATAR ELE…”

A fala é de Clarissa Garotinho (PR), filha do ex-governador Anthony Garotinho (PR), que foi transferido na noite de quinta-feira (17), de um hospital para o Complexo Penitenciário de Bangu, sim, o mesmo que estão outros milhares de bandidos de alta periculosidade. Obviamente que nenhum filho ou quase nenhum vai admitir que seu pai ou mãe sejam bandidos.

Mas na ação desesperada da deputada federal Clarissa fica evidente a falta de compreensão do que realmente representa alguém que comete atos ilegais ou lesa o estado. Assentados em seus patrimônios milionários, a família Garotinho já governou o Rio por oito anos, atualmente comanda a Prefeitura de Campos (RJ), desde 2009, e tem uma representante na Câmara Federal. Muito poder para uma família.

Para Clarissa, diga-se de passagem, que possui personalidade de extrema arrogância e prepotência, talvez bandidos sejam apenas aqueles que estão no morro ou são negros.

Para a filha do ex-governador do Rio de Janeiro, o pai que lesou o estado e o município de Campos, deixando milhares sem atendimento médico, sem qualidade nas escolas, com transporte público deficitário, sofrendo com a insegurança, enfim sem qualidade alguma de vida, este não é bandido. É um homem que merece ser tratado de forma diferenciada, mantido em hospital com diversas regalias etc.

No entanto aos poucos o Brasil vai mudando e deixando claro que as cadeias não estão servindo apenas para pobres e pretos, mas para aqueles que usurpam do dinheiro público em benefício próprio. O MENSALÃO e o PETROLÃO estão aí para provar isso.

Não me comovi com o choro desesperado da Clarissa Garotinho, pelo contrário, me revoltou. A parlamentar só demonstrou a sua arrogância e soberba ao ainda pensar que pode ter mais direitos em relação aos demais.

Ao afirmar que estão tentando matar o pai dela, a nobre deputada poderia fazer uma reflexão e lembrar-se de quantos morreram na fila dos hospitais e postos de saúde no Rio de Janeiro, esperando atendimento. Vale lembrar que depois de Anthony Garotinho que governou entre 1999 e 2002, a mãe de Clarissa também foi governadora e esteve no cargo entre 2003 e 2006.

Foram oito anos da família Garotinho no poder do Rio de Janeiro, graças a essa força política, Clarissa se elegeu vereadora, deputada estadual e federal.

Recentemente, Clarissa teve um filho. Com certeza ela deu a luz a seu filho em um bom hospital particular com total acompanhamento médico e todos os cuidados necessários, situação bem diferente que muitas mães enfrentam por não possuírem o mesmo poderio econômico e político da parlamentar.

Clarissa Garotinho se desespera ao ver o pai ir parar em Bangu, mas deve começar a refletir. Quantos já não podem nem se revoltar ou clamar por qualquer ajuda do poder público, afinal já morreram vítima da falta de assistência médica ou por conta da insegurança.

Anthony Garotinho ainda não foi sentenciando, mas este será mais um bom exemplo que o Brasil está mudando e que cadeia passa a ser para pobre e rico neste país.

 

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