Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

Governo Federal cancela projeto de lançamentos de foguetes da Base de Alcântara

10 de abril de 2015 : 17:13

Blog do Aquiles Emir

O Jornal Folha de São Paulo publicou em sua edição desta quinta-feira (09) que a presidente Dilma Rousseff cancelou mais um projeto do Maranhão: o acordo bilateral Brasil e Ucrânia para lançamento de foguetes na Base de Alcântara, após quase 12 anos de atrasos. De acordo com dados apurado pela Folha, os dois governos gastaram aproximadamente R$ 1 bilhão na empreitada fracassada, ficando R$ 500 milhões de prejuízo para cada um.A decisão teria sido tomada a partir de um relatório de um grupo interministerial elaborado em janeiro passado. Um dos principais pontos de discórdia foi o custo do lançador de satélites Cyclone-4, que teria se tornado abusivo num cenário de contração fiscal. “O projeto sempre foi custoso : a previsão era de que fosse deficitário por 20 anos. Oficialmente, até que a Ucrânia seja informada, o acordo está mantido”, frisa a Folha.

Com o rompimento, ficam reabertas as negociações para novos acordos, o que há muito é desejado pelos Estados Unidos, que podem se credenciar a usar as instalações de Alcântara para fins comerciais. Em 2000 um acordo firmado entre os dois países acabou engavetado porque previa que os norte-americanos usariam a base, mas não compartilhariam sua tecnologia. Naquele ano, um sinistro desastre levou pelos ares parte das instalações do CLA.
“Alcântara é objeto de desejo para lançamentos devido à sua posição equatorial –a maior parte dos satélites de comunicação usa órbitas paralelas à linha do Equador, então gasta-se menos combustível para chegar lá. Os europeus, por exemplo, lançam satélites pela Guiana Francesa. Como Dilma está em processo de reaproximação com o governo dos EUA, na esteira da remediação do escândalo em que se viu espionada, o tema pode ser retomado. A diplomacia russa, segundo a Folha apurou, também vinha pressionando discretamente o Brasil a abandonar o acordo com seus rivais ucranianos. Os russos podem inclusive ofertar lançadores”, acrescenta a Folha.

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