Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

A opinião de Edson Travassos: Santa televisão, Batman

6 de abril de 2015 : 07:39

Esse seria, com certeza, o comentário de Robin, fiel companheiro do Batman, ao ver mais um milagre da TV brasileira, acontecido semana passada, quando um repórter da TV Mirante, em matéria externa ao vivo, fez um “cadeirante” andar, e até correr da reportagem carregando sua cadeira de rodas. O vídeo viralizou na internet e está à disposição de quem quiser ver.

De fato, podemos afirmar que a “santa” televisão brasileira faz milagres a todo instante, segundo a conveniência e a oportunidade dos grupos econômicos e políticos que a controlam.

Da noite pro dia conseguem crucificar pessoas, transformar bandidos em heróis (e heróis em bandidos), fazem crer que determinada administração corrupta é a mais eficiente e proba da história, e que outra que não lhes pertença é sórdida, corrupta, incompetente, brocha e solta pum.

Brincadeiras à parte, o fato nos leva a refletir sobre a utilização politiqueira, por parte de oligarquias, da televisão, do rádio, dos jornais e revistas a fim de manipularem a opinião pública, por um lado atacando seus adversários políticos de forma mentirosa, imoral e muitas vezes criminosa, e por outro fazendo apologias aos membros de seu clubinho. Sempre, quer dizer, “muitas vezes” ( melhor assim para não ser processado) faltando com a verdade, mentindo descaradamente para a população (que para os “pUderosos de plantão”, não passa de massa de manobra).

Poucos sabem, mas nossa Constituição Federal, no art. 220 e seguintes regulamenta toda a comunicação social em nosso país. O funcionamento das rádios, televisões, jornais, revistas etc. Tudo o que pode, o que não pode, o que deve ser, o que não deve. Tá tudo lá. Pena que ninguém cumpre.

Sabiam, por exemplo, que os jornais, revistas e outros impressos independem de licença de autoridade? Ou seja, qualquer um pode abrir um jornal e escrever o que bem entender, claro que, vedado o anonimato e responsabilizando-se pelas consequências.

Já as rádios e TVs são concessões públicas, com função pública, que devem ser voltadas para finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, promoção da cultura nacional, artística e jornalística, respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família (parece piada, não?).

Ia me esquecendo, lá também diz que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.

Enfim, dentre outras imposições que não são cumpridas, e a população desconhece, então deixa continuarem sendo descumpridas (e o MP e o Judiciário não colaboram…), diz lá que as rádios e televisões são concessões dadas à iniciativa privada para explorar (TV por 15 anos e rádio por 10 ), e tais concessões podem ser renovadas nesses períodos.

Mas já pararam pra pensar que são os donos dessas concessões e que eles nunca mudam? Normalmente são políticos, que se utilizam de tais concessões apenas para ganhar dinheiro do Estado com contratos de publicidade (principal fonte de recursos de todos os meios de comunicação) e manipularem a verdade de forma a enganar os cidadãos e obter vantagens políticas. Sempre protegendo os seus e atacando os opositores.

Por isso digo sempre a meus alunos que nunca leiam um jornal ou uma revista apenas, mas sempre vários ao mesmo tempo. E mais, busquem informações na internet, que apesar de ter muito lixo, ainda tem verdades que fogem ao controle (por enquanto) dos “pUderosos de plantão”.

Deveria existir uma proibição de o Estado conceder rádios e televisões a políticos, assim como criminalização do uso de tais veículos com fins politiqueiros. Mais uma coisa a constar em uma tal de “reforma política”.

Voltando ao milagre do “cadeirante”, o repórter queria porque queria atacar a prefeitura. Percebe-se claramente isso, e quem olhar o vídeo vê como ele mesmo diante do inusitado ocorrido, ainda insiste em não perder esse foco. Não se pode recriminá-lo, pois apenas cumpre pautas a ele impostas.

Não sei o que de fato ocorreu, se foi uma armação da reportagem, ou se eles por coincidência flagraram uma fraude ao INSS (para lá que o “cadeirante” ia, e acabou indo de taxi…), mas algo muito podre no reino da Dinamarca estava ali acontecendo e, pelo que me consta, nem o Ministério Público nem a Polícia Federal e nem ninguém foi atrás do tal do “cadeirante” pra tomar satisfação do ocorrido. Vocês podem imaginar o porquê?

VERDADE

– Deixo aqui registrados meus parabéns à atitude do vereador Pedro Lucas por sua postura madura e responsável frente à questão do aumento das passagens de ônibus. Ao contrário de outros que estão pouco se lixando pra população e querem mais é que tenha muita desgraça pra poderem aparecer esbravejando em proveito próprio, ele apresentou soluções viáveis ao problema real, e contribuiu para que a Prefeitura, o Governo do Estado e a Câmara de Vereadores de São Luís conseguissem, juntos, o melhor para a população. Parabéns, vereador. Tens o meu respeito.

– Depois do “milagre do cadeirante”, no dia seguinte o mesmo repórter estava de novo nas ruas atacando a prefeitura, quando levou, ao vivo, um imenso banho de lama de um carro que passou perto dele em velocidade. Muitos disseram que foi castigo de Deus…

‪#‎juntossomosmuitos‬. É pra avançar!

* Edson José Travassos Vidigal foi candidato a deputado estadual nestas eleições pelo PTC, número 36222. É advogado membro da Comissão de Assuntos Legislativos da OAB-DF, professor universitário de Direito e Filosofia, músico e escritor. Especialista em Direito Eleitoral e Filosofia Política, foi servidor concursado do TSE por 19 anos. Assina a coluna A CIDADE NÃO PARA, publicada no JORNAL PEQUENO todas as segundas-feiras.

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