Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

Luís Fernando diz que caso venha ser eleito, seu governo não será uma continuidade do atual, comandado por Roseana Sarney

11 de fevereiro de 2014 : 16:56
O Imparcial – Marcus Saldanha
Luís Fernando, pré-candidato governista, destaca que seu foco principal no desenvolvimento do estado, passa pelo crescimento econômico e distribuição de renda, desafios que segundo ele, conseguiu alcançar em boa parte quando foi prefeito de São José de Ribamar.
Além disso, Luís Fernando se intitula um municipalista convicto e que a grande solução para continuar desenvolvendo o Maranhão é inverter a lógica desse desenvolvimento e partir da base, onde é preciso que as cidades sejam melhores para que o Estado seja cada vez melhor.
O secretário de Infraestrutura reconhece que o cargo tem lhe dado visibilidade política, mas afirma que em nenhum momento confundiu as coisas e que só se desincompatibilizar do cargo dará ênfase maior campanha “Se a gente fizer cada coisa a seu modo e seu tempo a coisa é mais eficaz.”, defende. Luís Fernando ainda sugere aos demais gestores pré-candidatos que aproveitem “o pouco tempo que falta” para trabalhar um pouco mais: “Por quem às vezes, a política atrapalha. Quem trabalha mais, vai ter mais discurso e ações para mostrar ao longo de uma vida inteira de trabalho.”
Já sobre a aliança do PMDB com o PT no estado, Luís Fernando não só defende como afirma que não tem preferência por um nome para compor a chapa como vice e que cabe ao PT fazer essa indicação e ao PMDB aceitar.
O Imparcial – Por que o senhor deseja ser governador do Maranhão?
Luís Fernando – Em primeiro lugar por uma crença muito forte de que o Maranhão precisa continuar mudando e melhorar cada vez mais, quero garantir aos maranhenses um estado cada vez melhor, uma qualidade de vida cada vez melhor.
E o que lhe faz crer que pode ser eleito governador?
Minha história de vida e de muito trabalho em favor do estado, grande parte dessa história no magistério na Universidade Federal do Maranhão e outra na própria administração pública. Mas tendo um foco muito grande no desenvolvimento do estado, o que passa por crescimento econômico e distribuição de renda. Esses são desafios que sempre me propus a ajudar a vencer e consegui vencê-los em boa parte quando fui prefeito de São José de Ribamar. Tenho a certeza de que algumas das soluções que nós demos em Ribamar e que reduziram drasticamente a pobreza são possíveis de adaptação nos municípios e sou municipalista convicto e entendo que a grande solução para continuar desenvolvendo o Maranhão é inverter a lógica desse desenvolvimento e partir da base. É preciso que as cidades sejam melhores para que o Estado seja cada vez melhor.
Qual será sua prioridade em um eventual governo?
O grande desafio do Maranhão é fazê-lo crescer, aliado a melhor distribuição da renda e, claro, com painel de fundo a sustentabilidade, isso tudo é o desenvolvimento econômico, fazer com que cada pessoa tenha uma vida melhor. Eu tenho uma história que mostra isso e é essa proposta que vou apresentar sendo o candidato ao governo do Estado.  
Nós temos acompanhado que o senhor tem entregue inúmeras rodovias e anunciando outra dezena de obras. Esse é o caminho para o desenvolvimento do estado?
Um dos. Mas para desenvolver o Estado o foco tem que ser saúde, educação e renda crescendo e sendo distribuída, além das outras políticas públicas como os direitos humanos e segurança. A infraestrutura necessariamente é um instrumento eficaz para promoção do crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida. Hoje executamos na Sinfra o maior programa rodoviário do Maranhão de ligar todas as cidades do Maranhão ligada a uma BR ou MA. Infraestrutura melhora educação, uma vez que por exemplo permite que a pessoa saia de ma cidade para outra e cursar uma Universidade;  saúde é a mesma coisa, quando você busca atendimento de média e alta complexidade você precisa se deslocar do município e estradas são fundamentais; na agricultura também porque você precisa escoar a produção ara que se gere renda e emprego; deslocamento do aparato de segurança pública; a industrialização no interior do Estado, requer infraestrutura; além disso o sistema intermodal de escoamento para o Porto do Itaqui. Por isso, infraestrutura é uma política importantíssima e o Maranhão será o primeiro Estado do Nordeste a ter todas as sedes de municípios ligadas por estradas asfaltadas.
Quais são suas propostas para educação, saúde e segurança?
Educação tem que ser fixada nesse tripé de desenvolvimento econômico: educação, saúde e renda. Tem que visar o exercício da cidadania e a preparação para o mundo trabalho. Isso se faz com a universalização da educação básica, no ensino médio ainda temos uma demanda grande ara atender no sentido de aumentar a taxa de escolarização. Feito isso, o passo seguinte é a profissionalização. Temos que fazer chegar a todos os rincões do Maranhão, aliados ao mercado e as necessidades de produção, com isso se dá um salto de qualidade. Em relação ao ensino superior, temos que atrelar isso a produção de conhecimento com pesquisas tanto aplicadas quanto acadêmicas a serviço de um programa de desenvolvimento que a sociedade maranhense há de construir.
Na área da saúde a primeira questão é o financiamento, onde a gente ver uma questão muito grave, o município tem a maior responsabilidade do primeiro atendimento e a menor parcela dos recursos. É preciso rever essa questão por que se não vamos aumentar a iniquidade dos recursos da saúde, quem precisa mais é o município mais pobre, mas é quem recebe menos e garantir no primeiro atendimento os recursos suficientes para que o cidadão não precise se deslocar do seu município pela falta de resposta, porque muitas vezes o prefeito e o vereador não podem dar essa resposta.
Quanto a segurança defendo a separação das questões de base que são resolvidas a médio e longo prazo e as mais ligadas ao efeito, que é o que a gente ver mais nas ruas. Defendo a instituição de uma política unificada de segurança pública nacional, mas perfeitamente estruturada com financiamento federal, estadual e municipal, com a lógica da equidade, ou seja, que tem mais contribui com mais, então teríamos uma política nacional. Além disso, a implementação de políticas sociais como medidas preventivas ao aumento da criminalidade. Se você universaliza o acesso a educação, melhora a saúde, adota uma política de distribuição de renda, de assistência social e uma rede de proteção efetiva nos municípios evita-se a violência num futuro próximo. A outra questão é a repressão, se o crime está nas ruas tenho que reprimir com eficácia e para isso a gente precisa de um aparelho policial treinado, preparado, capacitado e da articulação da Segurança Pública com as demais secretarias.  
O Maranhão é um estado que ainda depende da agricultura. O que o senhor pensa para esse setor?
O Maranhão é o estado mais rural do Brasil ainda do ponto de vista da população e precisa necessariamente encontrar caminhos e continuar ações para a redução da pobreza rural. A pobreza extrema tem diminuído bastante, mas essa redução tem que se acelerar e não há caminho possível que não seja a inclusão sócio-produtiva do meio rural. A agricultura familiar que já é muito forte no que diz respeito a quantidade de pessoas envolvidas precisa ser reforçada com tecnologia, acesso ao crédito, assistência técnica e a comercialização. Existem instrumentos muito fortes nas mãos dos municípios quanto a comercialização que precisam ser exercidos na sua plenitude. E é preciso de uma articulação coordenada pelo Estado voltada para o mercado. Não estou falando de sonhos, mas de realidades que consegui realizar na minha cidade (São José de Ribamar) com o apoio dos trabalhadores rurais, empresários e classe política, um grande mutirão para desenvolver a cidade. A realidade de lá é possível para todas as demais cidades, esse é o meu desafio, desejo e sonho. Isso é mudança de verdade.
O senhor acredita que conseguiu cumprir seu papel na secretaria de Infraestrutura? Isso lhe garante mais visibilidade que os demais candidatos?
Essas coisas são bem separadas. Uma coisa é a missão institucional, outra coisa é a missão política. Sempre fui focado naquela missão que estou desempenhado. Em primeiro lugar, ninguém é investido em uma missão sem que seja a vontade de Deus, em segundo lugar é preciso ter foco para realizar. Quem mistura as coisas termina não realizando. Quem tem missões públicas e só faz política termina não alcançando bons resultados e a gente ta cheio de exemplos aí para ver. Quando assumi a SINFRA já havia coordenado o Programa Viva Maranhão que o principal programa de desenvolvimento do Maranhão. A utopia que todo gestor tem que ter é a inconformação, ou seja, a visão crítica de que é preciso e sempre possível fazer mais. Não diria que cumpri o dever, mas que fiz o que foi possível com o tempo e com o meio que tínhamos para fazer. Incessante e que está apresentando resultado. Saio com a responsabilidade e a sensação de que fiz o possível pelo meu estado e minha gente. Isso dá visibilidade política, claro que dá, sobretudo no momento que a mídia e as pessoas levam sempre para o lado político, mas passei o ano de 2011, 2012 e 2013 focados quase que exclusivamente para os problemas do governo. É claro que tem um componente político, claro que sim, até porque em julho do ano passado meu nome foi apresentado como pré-candidato ao governo do Estado. Mas em nenhum momento eu confundi as coisas e até hoje eu continuo enfatizando a questão da missão institucional que é coordenar a implantação do maior programa rodoviário do Maranhão até o dia em que eu for secretario. E a partir do momento que eu me desincompatibilizar eu darei a ênfase maior a uma futura campanha que só começa em julho. Se a gente fizer cada coisa a seu modo e seu tempo a coisa fica mais eficaz.
Vou até dar uma sugestão, vamos aproveitar o pouco tempo que falta aqueles políticos que exercem cargos públicos e que eventualmente não se sintam confortáveis com a sensação que eu estou de que é possível, ainda dá tempo. Trabalhe um pouco mais. Por que às vezes, a política atrapalha, e a população que tem política de dois em dois anos, em 2013 eu senti nitidamente percorrendo todo o estado que a população queria era trabalho e resultado e eu fui nessa direção. Política na hora da política e trabalho a hora do trabalho, se não a política fica sem essência, sem base e você não tem o que dizer e fica repetindo chavões. Quem trabalha mais vai ter mais discurso e ações para mostrar ao longo de uma vida inteira de trabalho.  
O senhor vem para ser uma continuidade do governo Roseana ou terá um tom próprio?
Nenhum governo pode ser de continuidade, isso seria um desrespeito à população. Todos esperam de cada governo uma evolução e isso exige responsabilidade para reconhecer o que é bom num governo que se extingue e reconhecer o que precisa melhorar. Inovar para melhorar. O governo Roseana tem muitas realizações que são mantidas, mas um governo novo tem que ir além. Se fosse para apenas continuar não teria eleição. E eu sou inquieto e inconformado e sempre quero melhorar. Um eventual governo Luís Fernando será em primeiro lugar responsável, de trabalho e focado na melhoria dos resultados.
Sobre as alianças, tentar trazer o PSDB, o senhor não acha que pode desagradas o PT e a Dilma?
Não. Entendo que as acomodações partidárias nos estados têm um perfil um pouco diferente das nacionais. O PSDB que é um partido que tenho articulações com pessoas importantes, figuras com mandatos. Temos que conversar não sobre as siglas, mas sobre idéias. O PT tem uma participação indispensável na nossa chapa e defendo a aliança e uma grande coalização com partidos que queiram trabalhar para o Maranhão focados mais no povo que em querem ser agradáveis.
E sobre o PT? É certeza deles estarem com o senhor? Tem preferência de algum nome para vice?
Entendo que o PT é uma necessidade para nós. Primeiro porque é um partido que tenho grande simpatia e tenho simpatia ainda maior por Lula e Dilma. Que deram ao país uma feição social. Nosso grupo político é parceiro e é muito natural que a gente queira manter essa parceria. O PT tem uma contribuição nesse governo e para implementação de programas em um eventual novo governo com foco na geração de renda. Defendo essa. Não tenho preferência, nessa aliança partidária e não casual. Cabe ao PT fazer essa indicação e nos cabe aceitar.

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