Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

Luís Pedrosa diz que candidatos a governador “são mantidos por agiotas”

26 de janeiro de 2014 : 10:57
Ele é mais conhecido por sua atuação na defesa dos Direitos Humanos no Maranhão. Quando o assunto é a crise do sistema penitenciário, ele é um dos mais procurados para falar do assunto, tanto que chegou a ser taxado como o aproveitador da situação para alavancar sua candidatura, no entanto ele responde, que não deixará de fazer o que faz há 20 anos, para simplesmente agradar alguns setores, inclusive a sociedade.
Escolhido pelo PSOL, para disputar o governo do estado, Luís Pedrosa disse que é necessário romper com o atual modelo político e econômico que está sendo imposto no estado, somente assim, a população poderá vencer a extrema pobreza. Ele acredita que é o único capaz de trazer esse novo modelo. Ele ainda fala de suas propostas para alguns setores.
Confira na íntegra a entrevista:
Por que o senhor deseja ser governador do Maranhão?
Luís Pedrosa – Por que chegamos a um ponto de esgotamento das propostas políticas que estão sendo apresentadas pelos dois principais campos políticos. Essas duas experiências políticas que já ocorreram no Maranhão tem dificuldades dialogar com a ampla maioria do povo do Maranhão, para discutir um modelo independente das financiadoras de campanha, de fazer reforma agrária, de atender a população indígena, proteger os ecossistemas, de romper com a cultura da violência, isso tudo tem haver com essa hegemonia política que está presente no estado e que tem relações com agiotagem, corrupção administrativa, modelo de financiamento de campanha corrupto, então é preciso romper com essas amarras.

E o que lhe faz crer que pode ser eleito governador?
Acredito que estamos atravessando uma profunda crise do sistema político nacional e as manifestações de junho (2013), provocaram certo abalo, demonstrando que a população está esgotada desse modelo de fazer política. E no Maranhão essa insatisfação pode contaminar amplos setores da sociedade.

Qual será sua prioridade em um eventual governo?
Não há outra prioridade que não seja a educação, pois através dela solucionamos problemas como de segurança, saúde, provocamos mudanças significativas no padrão de representação política, governabilidade e através da educação, podemos discutir soluções para o desenvolvimento do estado.

O senhor já tem propostas?
Nossa proposta é investir maciçamente em educação, discutir um novo modelo de desenvolvimento que possa incluir a maior parte da população do Maranhão, pois hoje ela está abandonada. Pois hoje temos a maior parcela do nosso povo incluído no Bolsa Família, isso é um retrato do abandono. Essas pessoas precisam sair de um programa de transferência de renda para uma inserção no mercado de trabalho. Isso é feito, distribuindo terra, criando empregos, a partir de uma política de desenvolvimento que não seja concentradora de renda.

Qual a sua avaliação desses programas sociais desenvolvidos pelo governo federal?
Esses programas devem ser transitórios. Eles devem ter portas de entrada e de saída, você tem que atacar a pobreza, mas principalmente resgatando a cidadania, fazendo com que o cidadão se sinta protagonista de um projeto individual para a participação no mercado de trabalho, projeto político etc. Essa dependência que o governo federal criou no Brasil, trata-se de compra de votos, e é preciso romper com isso, para que o cidadão sinta sujeito de sua própria história e que se afirme sem nenhum estigma no mercado de trabalho. Sem depender de uma pensão, de um modelo de transferência de renda que não aponta para um futuro.

O Maranhão é um estado que ainda depende da agricultura. O que o senhor pensa para esse setor?
A minha trajetória é na questão agrária e eu ainda acompanho muito essa situação no Maranhão, inclusive esse é o eixo central das maiores mazelas que vivemos no estado. Nosso estado ainda é o principal exportador de mão-de-obra escrava, nós temos estatísticas tristes de uso dessa exploração, temos um campesinato muito grande, a população rural ainda é muito grande em comparação com a urbana, apesar das mudanças dos últimos anos. Se não tivermos uma política para manter as pessoas no campo e proteger os ecossistemas, que são importantes para a sobrevivência, não vamos conseguir nunca sair desse estado de extrema pobreza.

Para indústria e o comércio, o que senhor pensa?
Nós devemos pensar na indústria e comércio como um modelo venha romper com a concentração de renda. A nossa indústria e o comércio ainda é feita de uma forma que somente a elite tem acesso. Não vejo incentivo para que a empresas pequenas possam se emancipar. Devemos investir em cooperativas rurais, agrícolas, temos produtores que poderiam fazer com que o dinheiro pudesse libertar a maior parte da população do estado. Não pode pensar em indústria sem trabalhar no zoneamento, para que se trabalhe também o agronegócio. Devemos viabilizar o transporte do que é produzido na zona rural, nós ainda temos um problema enorme no escoamento da nossa produção. Precisamos de um novo modelo industrial e de circulação de riqueza para tirar a nossa população da pobreza.

Saúde, segurança e direitos humanos. Quais são suas propostas?
Saúde, segurança e direitos humanos estão inter-relacionados. Não vamos conseguir resolver debelar a crise de segurança pública sem investir em educação, pois quanto mais pobre e desinformada a nossa população estiver mais sujeita a agenciamentos da violência. Os países que investiram mais em educação, eles gastam menos com saúde e segurança. Nós temos que ter um governo que faça essa transição. Será difícil, pois terá que comprometer grande parte do recurso com esse novo modelo educacional. Temos que propor um modelo de construção do orçamento através da participação da população, hoje ninguém mais faça de orçamento participativo, os políticos se assustaram com essa proposta quando colocaram em prática.

Alguns comentam que o senhor vem aproveitando a crise do sistema penitenciário, para surfar nessa onda e ganhar projeção. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Quem fala isso, deveria estar comigo há 20 anos, visitando os presídios. Eu não tenho culpa se o governo foi tão incompetente por acabar se inserindo em uma crise sem precedentes. Não vai ser agora que eu vou me calar, pois eu posso falar com total propriedade ao contrário de todos os outros candidatos políticos. E adianto que nem tenho perspectiva de aumentar meu eleitorado falando desse assunto, pois sabemos que não dá votos, continuar sustentando o que eu defendo. No entanto eu não farei o discurso da classe política hipócrita e demagogo através de pesquisas, que verifica o grau de aceitabilidade média do seu discurso perante a sociedade. Não vou abrir mão da minha trajetória de militante e defensor dos direitos humanos, por conta de candidatura política. Se a população quiser também crescer, precisa romper que protege essa classe política.

O senhor vem com objetivo de romper a polarização que pode existir entre as duas principais candidaturas postas até o momento? O que lhe diferencia dos demais candidatos?
Não há polarização substancial, mas sim, superficial. Pois o que percebemos é que existem representantes do patrimonialismo político, dos dois lados percebemos problemas de financiamento de campanha, os quais são mantidos por agiotas. Está sendo representados também por esse grupo os latifundiários, que são os monocultores. Nós somos pela quarta vez consecutiva, o estado de maior conflito agrário no Brasil e nenhum dos dois grupos postos, vão romper com essa situação. Essa polarização que você fala é falsa, simplesmente divide projetos pessoais de grupos políticos que estão contaminados com a mesma prática. Esses candidatos postos representam a renovação política? A nossa proposta é construir um novo modelo político, rompendo com esse modelo de financiamento de campanha, que se torna uma fonte de corrupção.

A sua candidatura conseguirá pela primeira vez unir a ultraesquerda no Maranhão? E vocês tem objetivo de trazer mais partidos para essa aliança?

Nós temos um campo político bem definido que é de esquerda. Nós não fomos cooptados pelo PT e PMDB, nós rompemos com esse modo de fazer política desses partidos, portanto nosso leque partidário está bem definido, compreendido entre PSOL, PCB e PSTU. A minha preferência política é a união de todas essas forças, por isso deixo claro que o PSTU só não vai compor essa chapa, se não quiser. Caso não ocorra essa união, iremos respeitar o candidato do PSTU.

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