Diego Emir | Poder, Política e Sociedade

Parece brincadeira, mas Weverton Rocha contratou aulas de massagem no candomblé

De O Estado

Chega a quase R$ 500 milhões o volume de recursos do Ministério do Trabalho no esquema controlado pelo ex-ministro Carlos Lupi, distribuídos entre ONGs que superlotam a carteira de contas irregulares na Controladoria Geral da União (CGU). Ontem, no blog do jornalista Josias de Souza, do UOL, o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, disse que a situação é “extrema”, que o ministério “descuidou-se até das aparências” e que existem mais de mil processos de contas que não se fecham.
Dupla dinâmica no Ministério do Trabalho e no PDT

Descuidar-se das aparências pode ser o caso dos “subconvênios” firmados pela Federação do Desenvolvimento das Organizações do Terceiro Setor do Maranhão (FEDCMA), ONG de propriedade de Marileide Rocha, mãe do deputado federal Weverton Rocha (PDT).

Marileide obteve convênio de R$ 4,09 milhões e subcontratou, dentre outras, uma associação de donas de casas para dar cursos de formação profissional em lanternagem e mecânica de automóveis e um terreiro de candomblé para capacitar jovens em massagem de relaxamento.
Por essas ações, Weverton e a própria mãe foram denunciados à Justiça e ao Ministério Público, que abriram ações para ivnestigar a família. Os processos estão agora no Supremo Tribunal Federal, dada a condição de deputado federal de Weverton Rocha.
Carlos Lupi controla o Ministério do Trabalho desde 2007, quando Weverton Rocha tornou-se secretário de Esporte e Juventude do então governo de Jackson Lago. A partir daí estabeleceram uma parceria que chamou a atenção do Brasil. Numa reportagem da Folha de São Paulo, de 19 de novembro de 2011, a repórter Elvira Lobato informou que “nas confusões de Carlos Lupi sempre aparece Weverton Rocha”.
Convênios – Durante o governo de Jackson, Weverton obteve convênios do programa Projovem Urbano que foram repassados a ONGs sem nenhum processo de licitação. Assim como fizera com a FEDECMA, beneficiou a carioca Fundação Darcy Ribeiro, a Fundar, com R$ 1.226.492,00, e o Instituto Maranhense de Administração Municipal (IMAM), com R$ 2. 256.000,00. E quando constatou que o governo Lago cairia, pagou os contratos antecipadamente, sem que os cursos de formação de jovens tivessem sido concluídos.
O Blog de Reinaldo Azevedo, de Veja, registrou que Weverton intermediou junto a Lupi a liberação de R$ 2.184.870,00 para o Instituto Brasil Voluntário – Bravo, que simplesmente desapareceu do mapa depois de receber o dinheiro e simular uma prestação de contas de apenas 30% do valor recebido. A revista Veja disse que os funcionários do ministério, dentre os quais Weverton, “exigiam comissão de 5% a 15% do valor dos convênios para resolver pendências” – está escrito na edição de 12 de dezembro de 2011.
Quando o governo do PDT caiu, Lupi levou Weverton para o seu gabinete e deu-lhe mais poderes ainda, tempo em que o maranhense mantinha um escritório em São Luís onde se amontoavam ongs daqui e de outros estados, que se revezavam no recebimento de convênios do Projovem. Segundo uma ex-secretária, “era muita compra e venda de Ongs diariamente”, diz, sem querer se identificar.
Com essas condições, Rocha ganhou uma primeira suplência de deputado federal e usou Lupi para articular a candidatura de Eivaldo Júnior. Com a eleição de Edivaldo, o pedetista herdou a vaga na Câmara Federal.

Deputado responde a processos

Agora deputado federal, Weverton Rocha responde a pelo menos cinco processo na Justiça Estadual e dois na Federal, todos por dispensa criminosa de licitação, direcionamento de contratos e desvio de recursos, federais e estaduais, dentre os quais os das reformas e reconstrução do Ginásio Costa Rodrigues, obras jamais realizadas.
Enquanto as operações da Polícia Federal se desenrolam em todo o país, a essa altura já com 15 prisões realizadas, em consequência dos desvios de recursos promovidos pelo esquema de Carlos Lupi, as demandas contra Weverton Rocha aguardam desfecho no Supremo Tribunal Federal (STF) tendo em vista a sua condição atual de deputado federal que lhe confere foro privilegiado.

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